domingo, 24 de março de 2013

Filme...Meu nome é KHAN

Autismo, “Síndrome de Asperger”, Luto, preconceito étnico  diferença, violência, amor, perdas, superação, potencialidades.

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ASSUNTO 
Autismo, “Síndrome de Asperger”, Luto, preconceito étnico  diferença, violência, amor, perdas, superação, potencialidades.
Madrugada, carnaval, ligo a TV e encontro o filme no telecine. “Asperger” me chama a atenção na sinopse, mas a intenção era apenas que me ajudasse a dormir e depois poderia procurar o filme para assistir com calma. Eu já estava com muito sono, no entanto fui despertada pela trama que me envolvia mais e mais, a cada momento. Acabei por ver o filme completo, às vezes chorando, às vezes rindo, mas completamente encantada. Ultimamente tenho me deparado com filmes indianos imperdíveis, este é um deles, recomendo! Trata-se de uma trama muito bem costurada que aborda assuntos diversos. A história de uma pessoa diagnosticada com Síndrome de Asperger, e sua forma de funcionar no mundo diante das mais diferentes dificuldades que encontra em seu caminho. Khan é também mulçumano e está incluído no grupo das pessoas boas, pois como dizia sua mãe “só há uma única diferença entre os seres humanos, as pessoas boas e as más”. Apesar dos obstáculos impostos por seu funcionamento, o amor de sua mãe o permitiu desenvolver suas potencialidades, tornando-o um adulto inteligente e habilidoso. Ao trabalhar com a
Venda de produtos para salão de beleza, Khan conhece Mandira, uma cabelereira por quem se apaixona. Logo que compreende o que sente, embora tenha dificuldade tanto de expressar sentimentos como de fazer contato, ele se emprenha em convencê-la a se casar com ele. Mandira têm um filho que aos poucos vai se tornando também filho dele, que acaba por registrá-lo como tal. A família se muda para Los Angeles, onde a esposa começa o próprio negócio, um salão de beleza, onde o casal segue trabalhando, construindo a família tão desejada por ambos. Até aqui, somos convidados a compartilhar momentos de alegria com essa doce e pura criatura e sua determinação e pureza de lidar com o mundo. A trama muda de tom e nos proporciona momentos de tristeza e perplexidade diante de todos os acontecimentos a partir de 11 de setembro. Agora a discussão é sobre o outro lado da moeda. Estamos falando de todos os mulçumanos que foram discriminados a partir de então. Aliás, somos provocados a refletir sobre qualquer tipo de discriminação e o quanto as pessoas são impedidas de viver sua identidade com liberdade. Amor, ódio, vida, morte, luto, violência, solidariedade, perdas, determinação, todas essas possibilidades humanas de ser são apresentadas no romance que nos convida a olhar o mundo pelas lentes de nosso “diferente” personagem. Aquele que tem todos os aspectos para discriminação, nos mostra a simplicidade dos valores básicos da existência, afinal o que realmente importante na vida? Preparem os lenços, as emoções serão muitas, mas todas elas valerão muito a pena!
Logo no começo do filme já vemos que a história está sendo narrada por Risvan Khan (Shahrukh Khan), que está, em verdade, escrevendo tudo isso para Mandira (Kajol). É assim que ficamos sabendo que quando pequeno ele não era compreendido nem por seus amigos e nem por sua mãe. Ele visivelmente tinha algum problema, embora fosse ultra inteligente. Não se dando bem na escola, sua mãe acaba contratando um professor particular pra Risvan, potencializando sua inteligência. Assim, lá em São Francisco, a esposa de Zakir, psicóloga, descobre que Risvan é portador da Síndrome de Asperger, uma espécie de autismo “leve”. Pra ajudar o irmão, então, Zakir propõe a Risvan ajudá-lo na venda dos cosméticos da empresa em que trabalha, indo de porta em porta nos salões de beleza em são Francisco. Leia mais clicando aqui.
Resenha completa aqui.
Um filme interessante para se analisar os estereótipos e o preconceito étnico. (...) EUA, casa-se com uma hindu e após o ataque às torres gêmeas – 11 de setembro de 2001 – a sua vida muda completamente. A xenofobia contra muçulmanos acaba tornando a dinâmica social e psicológica da família de Khan insuportável. A jornada de Khan que é apresentada no filme trata-se de sua tentativa de provar que não é um terrorista. LEIA MAIS...
Apesar da dificuldade de encontrar críticas sobre o filme, alguns comentários de sites me chamaram muito a atenção, compartilho com vocês os principais, os outros poderão ser lidos no link abaixo destes.
Leonilda Boen disse:
Um homem que vê pessoas e não ideais, religiões, cor ou raça. Me impressionou a cena que ele paga 520 dólares para um jantar com o presidente e ajudar a África. A mulher lhe pergunta se ele é cristão ele diz que é muçulmano ela lhe devolve o dinheiro e diz que ali é só para cristão. Ele responde: " Fique com o dinheiro querida e dê para ajudar os africanos não cristãos".Visão única de um homem que questiona uma humanidade perdida em meio ao ódio, intolerância e violência , um amor e perdão genuínos.
Marcia Girola disse:
"Existe apenas dois tipos de pessoas no mundo, as boas que fazem o bem e as más que fazem mal. Esta é a única diferença." Um filme, uma obra ou uma lição de vida? Lindo, triste, emocionante, cômico ou dramático? Depende dos olhos e da experiência de cada telespectador. Enquanto a maioria vai se encantar com o amor, a questão da humanidade, o preconceito racial e religioso e se questionar sobre sua própria identidade, tirando ou vivenciando com o véu que esconde ou representa sua face, alguns poucos irão notar que um sujeito Asperger é capaz de memorizar os melhores ensinamentos e transpô-los na mais significativa e marcante aprendizagem sobre utra forma de se encantar com o mundo. E assim, criar uma nova esperança de que as pessoas podem mudar. Um Asperger pode não saber expressar seus sentimentos, pode ter manias que as pessoas ao redor podem achar estranhas ou simples loucuras, mas sua forma literal de 'entender' o sistema social pode nos fazer rever nossos pré-conceitos sobre tudo que nos cerca e tornar as vivências subjetivas a principal marca da existência humana. Pois, chorando ou não, as ações valem muito mais do que a tão famosa frase "eu amo você". lINK PARA OUTROS COMENTÁRIOS
SINOPSE
O filme “My Name is Khan” conta a história de Rizvan Khan, um indiano portador da síndrome de Asperger's, um tipo de autismo. Depois que se muda para os Estados Unidos, Khan se apaixona por Mandira, uma cabeleireira separada que vive com o filho Sameer (Sam). Khan é maometano e Mandira, hindu, mas suas diferenças religiosas não impedem que se casem. Os problemas começam com o 11 de Setembro, quando passam a ser atacados por sua origem étnica e devido a generalizações preconceituosas. Depois de sofrer bullying por parte de colegas, Sam é morto em uma briga, e Mandira, revoltada, culpa o marido, e lhe diz que ele só poderia voltar depois que dissesse ao presidente da república que ele não é um terrorista, e que o filho dela também não era. Rizvan interpreta isso literalmente, e empreende uma peregrinação para ter sua esposa de volta.
TRAILER

sexta-feira, 22 de março de 2013

Diferença entre Psicologia e Psicanálise


Diferença entre Psicologia e Psicanálise




Adriana Tanese Nogueira


Psicologia e psicanálise não são a mesma coisa. Há uma distinção essencial entre elas que afunda raízes em suas origens, e cuja diferença leva a distintas perspectivas e métodos de pesquisa, portanto diferentes diagnóstics e diferentes resultados.
          O discurso sobre a alma (em grego antigo psyche-logos do qual a palavra psicologia vem) é uma investigacão que nasceu nos tempos da Grécia antiga, entre outras relacionadas ao universo, à vida e à política. O primeiro psicólogo foi Aristóteles (384 BC - 322 AC) um dos fundadores do pensamento ocidental e nosso grande classificador. Em sua vida de pesquisas, Aristóteles categorizou o inteiro mundo conhecido na época, incluindo moral e comportamento humano.
          A psicologia adentrou a idade moderna pelo trabalho de Wilhelm Wundt. Em 1879, ele fundou, em Leipzig, o primeiro laboratório dedicado exclusivamente à pesquisa psicológica. Muitos outros estudiosos seguiram e diferentes ramos da psicologia nasceram: Comportamentismo, Existentialismo, Cognitivismo entre outros são todos campos da psicologia.
          Desenvolvendo-se como um dos campos dos estudos experimentais, a psicologia era uma ciência entre outras. Sua filosofia de base fundamenda-se no Positivismo, de modo que o ser humano é abordado usando a mesma metodologia utilizada para estudar uma molécula, uma planta ou um peixe. A ciência tradicional estuda a natureza (e os humanos são parte dela) tentanto identificar suas leis, que uma vez descobridas ajudam a prever e entender como o todo funciona e portanto quais são suas anormalidades. 

          Freud (1856-1939), o fundador da psicanálise, não era um psicólogo. Era um neurologista e o novo campo do conhecimento que ele descobriu supunha um elemento desconhecido à psicologia e a todas as outras ciências convencionais: o inconsciente. Ele chamou esse conhecimento de psicanálise porque está baseado na análise da psique. Esta abordagem mantém a tradicional distância entre o observador (o analista) e o objeto de seus estudos (o paciente), portanto o analista fala pouco, escreve muito, e analiza o paciente, como fossem os dois de espécie diferentes. Por outro lado, este método na verdade sacode as fundações do método científico convencional.
          A referência principal da psicanálise é o inconsciente, o qual, por definição, está presente em toda pessoa, analista e paciente incluso, e influencia as atividades concientes e as percepções da realidade, distorcendo a visão e manipulando a compreensão racional. Freud de fato estava caminhando sobre um terreno instável que iria necessariamente levar a uma mudança na epistemologia psicanalítica. Epistemologia é o ramo da filosofia preocupada com a natureza do conhecimento, cujas perguntas são: o que podemos conhecer? Quais são os limites do conhecimento humano? Assim, se a psicanálise supõe o inconsciente como seu objeto principal de estudos e o inconsciente é o desconhecido (tudo o que não é consciente) que interfere com a forma como conhecemos o mundo, chegamos num aparente círculo vicioso. Como, então, podemos afirmar qualquer coisa com objetividade?
          Freud contava com sua auto-análise para ajudá-lo a compreender seus pacientes. Isto o coloca numa posicão completamente diferente daquela de um psicólogo que vê a si mesmo como um pesquisador externo, para o qual o estudo de uma medusa ou de uma pessoa está idealmente baseado nas mesmas premissas. Ao invés disso, Freud seguiu por outro caminho: através de sua experiência interior e do conhecimento assim obtido desenvolveu os instrumentos para melhor ajudar seus pacientes. Apesar de Freud oficialmente permanencer nos limites da epistemologia positivista, sua prática trai o fato que ele está na verdade quebrando este paradigma, modificando o método científico.
          Quem se tornou consciente dessa revolução e de suas consequências foi Jung (1875-1961), o qual alcançou horizontes que Freud não poderia jamais imaginar. O histórico de Jung due-lhe a liberdade para investigar o campo desconhecido que a psicanálise freudiana havia aberto. O método científico positivista (oriundo das ciências biológicas) foi substituído por aquele dialético (oriundo da filosofia) que melhor combina com a psique. A metodologia de Jung aprofunda o dialogo que já Freud utilizava, usando-o mais intendamente, e investe na auto-consciência do analista e na relação mais do que na “analise” de for a para dentro do paciente.
          Para Jung, não somente os sonhos são, como disse Freud, o caminho principal para chegar ao misterioso elemento em nós, o inconsciente, como a inteira vida psíquica, uma vez que se tenha olhos para realmente enxergar, revela elementos e orientações, e o inconsciente é mais do que um perturbador das atividades conscientes. Analista e paciente estão ambos engajados numa jornada de descoberta e de  crescimento. Durante os muitos anos de experimentação e aprendizado a partir de sua vida interior Jung foi desenvolvendo sua psicologia analítica, que apesar de representar um passo a frente em relação à psicanálise freudiana, pertence ao mesmo campo que Freud primeiro traçou. Ambos não devem nada à corrente contemporânea de “psicologia científica”.
          Se a psicologia estuda um ser humano como poderia estar estudando qualquer outro mamífero e a psicanálise está baseada no dialogo entre duas pessoas, então o primeiro psicanalista na história ocidental foi Sócrates (469 BC-399 BC), pois seu método preanunciava a semente da qual a psicanálise iria nascer: o dialogo. Sócrates acreditava que todos possuiam mais conhecimento do que podiam imaginar. Através do dialogo, ele era capaz de fazer uma pessoa pensar e chegar à suas próprias conclusões, desenvolvemento uma surpreendente compreensão da vida e de si mesma.
          Resumindo, a psicanálise é precisamente o dialogo com o inconsciente. O psicanalista interage com seu inconsciente e o do paciente, ajudando este último a fazer o mesmo. Este é o objetivo da análise, enquanto a “terapia” tem o objetivo de “curar” como a palavra diz. Em Jung esta idéia é levada adiante e está visível na setting analítico que inclui graficamente duas cadeiras de frente uma para a outra. O divã freudiano implica que o analise investiga o inconsciente do paciente deixando o próprio de lado. No setting junguiano o dialogo acontece em, pelo menos, quatro níveis: duas pessoas conversam, dois inconscientes interagem (através de sentimentos, sonhos e linguagem não verbal), duas pessoas se tornam concientes da interação inconsciente e de seus significados; uma pessoa ajuda a outra a se familiarizar com isso e começar sua jornada desdobrando sua própria unicidade.
          É por isso que, em psicanálise normalidade é um conceito questionável, pois ele se refere ao mediano, à média estatística que ninguém gosta de ser. A normalidade que se busca em psicanálise é a incomparável singularidade da individualidade humana. Não só, a psicanálise, em sua versão junguiana e pós-junguiana, se parece com a Física Quântica e sua revolucionária abordagem à matéria. O observador e o observado interferem um com o outro sendo a objetividade no sentido tradicional impossível. Não é por acaso que a psicanálise nasceu na virada do século vinte junto à física moderna. Ambas pertencem ao novo paradigma epistemológico acerca da compreensão da vida e de seu significado.

Transferência e Contratransferência

Transferência e Contratransferência




transferência e a contratransferência são uma forma de projeção típica da relação terapêutica entre paciente e terapeuta e pode-se caracterizar de forma positiva, com sentimentos de afeto e admiração, ou negativa, com sentimentos de agressividade e resistência, dependendo dos laços inconscientes e emocionais que emergem nesta relação.
Denominamos “Transferência“, as projeções relacionadas a reações emocionais do paciente, dirigidas ao analista. A “contratransferência” envolve sensações, sentimentos e percepções que brotam no terapeuta, emergentes do relacionamento terapêutico com o paciente: como respostas às manifestações do paciente e o efeito que tem sobre o analista. É um sinal de grande significação e valor para orientar o terapeuta no trabalho analítico.

Cenário que exemplifica a “relação transferêncial”:

Cenário que exemplifica aspectos do
Neste cenário vemos o Obstetra com aparturiente e a sua volta acontece um amplo e abrangente ritual de cura: os instintos simbolizados pelo veterinário, as emoções simbolizadas no Cardiologista, a alma humana cuidada pelo Psicólogo, o corpo físico peloClínico Geral e o Oftalmologista que nos ajuda a “enxergar melhor”. Esses profissionais são observados pelo casal de macacos abraçados.
Este cenário reflete a busca do paciente por uma integração saudável e plena, revelando saúde de espírito e mente bem estruturada. O casal de macacos amorosamente abraçados simboliza a relação transferêncial positiva e o vínculo sólido. O obstetra personifica o terapeuta que por meio da continência segura e protegida, assiste o renascimento de seu paciente para uma nova fase de vida.

quarta-feira, 20 de março de 2013

O agradecer


O agradecer

Olhar Interior, 24 de fevereiro 2013



 
Olhar Interior, 

O agradecer

Existem atitudes que deviam fazer parte da nossa rotina, mas, devido a uma série de fatores (ou de desculpas?) acostumamo-nos a não utilizá-las e consequentemente a desperdiçar tudo de bom que poderíamos obter como retorno.
Uma delas é o ato de agradecer. Pedimos, pedimos e pedimos. Às vezes recebemos, e quase nunca agradecemos; às vezes não recebemos o que pedimos e aí é que não agradecemos mesmo! E ignoramos que uma força maior pode apenas estar nos livrando de algo indesejável.
Já pensou em quantas vezes você agradeceu hoje? Tenho certeza que você tem motivo para isso... E olha, não se preocupe se alguém vai agradecer a você ou não. Faça a sua parte e pronto.
E para se motivar a agradecer, observe como se sente quando alguém agradece a você. Essa sensação gostosa é a mesma que a outra pessoa vai sentir. Então, vamos distribuí-la? Pense em alguém que fez algo para você. Mantenha contato e agradeça. Pode ser o início de uma grande mudança. Ok?
Ah, sim. Obrigado por ler essa minha reflexão.

Odilon Medeiros – Psicólogo

Psicanálise Coletânea.


 Segue abaixo link deixado pelo nosso leitor Rafael C. com material de psicologia/psicanálise. Tem bastante material, vale a pena conferir.
Um grande abraço e até mais.

Psicanálise 


http://pt.scribd.com/collections/3125020/Psicanalise

Livros para baixar


Livros para baixar

Cultura Popular e Educação (2008) - SILVA, René Marc da C. (Org.). Cultura Popular e Educação – Salto para o Futuro. Brasília: Ministério da Educação/SEED/TV Escola/Salto para o Futuro, 2008.

Práticas de Leitura e Escrita (2006) -CARVALHO, Maria Angélica F.; MENDONÇA, Rosa Helena (Org.). Práticas de Leitura e Escrita. Brasília: Ministério da Educação, 2006.

Integração das Tecnologias na Educação (2005) - SECRETARIA DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA (Org.). Integração das Tecnologias na Educação. Brasília: Ministério da Educação/SEED/TV Escola/Salto para o Futuro, 2005.

Entre neste link:

domingo, 17 de março de 2013

O medo está fora do controle!


Transtorno
Fobias: o medo está fora do controle!

Estudos pelo mundo apresentam um resultado que assinala algo em torno de 25% da população ligada, de alguma forma, ao medo fóbico. Esse distúrbio pode atingir até duas vezes mais mulheres


O medo é inerente ao ser humano. Sentimos medo quando algo ameaça a nossa sensação de estabilidade, o nosso equilíbrio. As reações ao medo podem ser as mais adversas: enfrentamento, fuga ou entrega. Você já deve ter ouvido: “enfrentei o problema com a cara e a coragem”, “nem pensei,  quei com medo e saí correndo” ou “paralisei de medo”. Ter medo é uma questão natural e valida o nosso instinto de sobrevivência. A fobia é um medo exacerbado e desproporcional, que prejudica os relacionamentos sociais.
O termo fobia signi ca um medo desproporcional relacionado a objetos, situações ou comportamentos de tal monta que é considerado um distúrbio psicológico. Uma hipersensibilidade que desencadeia grande ansiedade, tornando a situação um agente estressor capaz de gerar sensações de medo e pavor em níveis tão altos que podem modi car de forma prejudicial o comportamento social de uma pessoa. Desse modo, a fobia pode causar perdas e limitar o sujeito fóbico em suas ações, podendo mesmo imobilizá-lo ou promover o surgimento de sintomas ainda mais graves com doenças psicossomáticas.
Existem estudos pelo mundo que apresentam um resultado que assinala algo em torno de 25% da população ligada, de alguma forma, ao medo fóbico. Esse extrato teve, tem ou terá, em algum momento da vida, um episódio de fobia. Os estudos também indicam, com um pouco de incerteza, que esse distúrbio atinge duas vezes mais mulheres que homens. O per l de fobia mais comum é o horror de se sentir objeto de observação e avaliação pelo outros, a fobia social!

Sintomas presentes na fobia
O aumento de produção de adrenalina e a requisição de recursos para a fuga ou ataque começam por alterar o ritmo cardíaco e a taxa respiratória. Os tremores musculares podem surgir e pode ocorrer uma hiperatividade com desorganização motora, baixo limiar para respostas motoras (“sobressaltos”), evitação ou afastamento. O modo de pensar, aspecto cognitivo, fica prejudicado, pois o organismo está de prontidão em relação ao agente estressor e, em reação reflexa, produz alterações bioquímicas de defesa aos estímulos percebidos, deixando todo o resto do metabolismo em segundo plano até que a ameaça cesse. Vômito, diarreia, choro ou desmaio podem ser consequência da impossibilidade de afastamento ou enfrentamento da situação gatilho do processo.
Alguns sintomas são de ordem subjetiva, como a apreensão, preocupação desmedida, previsão de ameaças e sensações de medo mesmo sem o objeto ou situação estressora, o que torna a vida do indivíduo fóbico, dentro deste processo, um verdadeiro inferno.
Sem o tratamento adequado, muitas vezes, ele tem de adaptar sua vida para evitar o confronto e suas consequências fisiológicas e subjetivas.

A fobia simples diz respeito ao medo intenso restrito a situações específicas, como a presença de animais, fenômenos da natureza, avião, ir ao dentista ou hospitais etc. Também envolve a preocupação sem a presença do elemento estressor
Mecanismo de defesa Segundo Jung, todo sintoma é uma tentativa de autocura do corpo. Nesse modo de pensar, o transtorno de ansiedade, base primeira da fobia, deve estar servindo como um elemento de proteção agindo de forma a preservar o corpo de alguma ameaça que, pela perspectiva do inconsciente, pode ser extremamente danosa. Esse mecanismo de defesa difere dos outros transtornos de ansiedade, pois tem uma característica especial: só se manifesta em situações particulares. Estas podem ser divididas em dois grandes grupos, como podemos encontrar na quarta edição do Manual Diagnóstico e Estatísticas dos Transtornos Mentais (1995), o DSM-IV, onde as fobias são assim quali cadas:
1) FOBIA ESPECÍFICA: antes denominada “fobia simples”, diz respeito a medos intensos, restritos a situações especí - cas, que podem ser claramente discerníveis como: a presença de animais, fenômenos da natureza, avião, ir ao dentista ou hospitais etc. Também pode envolver a preocupação acerca do objeto, ou seja, sentir o medo irracional mesmo sem a presença do elemento estressor.
2) FOBIA SOCIAL: a característica essencial é um medo acentuado e persistente de situações sociais ou de desempenho nas quais o individuo pode sentir embaraço. Como exemplo: falar, comer, escrever em público ou ir a festas. Um estudo mostrou que 20% das pessoas citavam medo excessivo de falar em público, mas apenas 2% se encontravam dentro do per l da fobia social. Mesmo assim, falar em público aparece em primeiro lugar entre as fobias sociais.

A fobia é um medo exacerbado e desproporcional, que prejudica os relacionamentos sociais

Já a fobia social se caracteriza pelo medo acentuado e persistente de situações sociais, como ir a festas. Falar em público aparece em primeiro lugar entre esse tipo de fobia
Medo é uma das emoções primárias do homem e surge no processo evolucionário como um alerta ao perigo. Ele pode evoluir para a raiva e transformar o sujeito numa máquina de agressividade ou para o pavor e fazer com que ele fuja do combate. Então, o medo é uma forma de ansiedade ou estamos usando palavras diferentes para a mesma sensação? Este é um problema semântico e enfrentaremos vários quando se trata de emoções, isso porque possuímos muitas nuances emocionais diferentes e, para di cultar um pouco mais, podemos sentir mais de uma ao mesmo tempo, o que iria necessitar de um cabedal com 10 mil palavras só para nominar as expressões faciais resultantes dessas emoções.
Já a fobia é o medo irracional, além da medida apropriada, para se tomar uma decisão. Dura mais tempo que o medo normal e provoca uma forte produção hormonal, altera o batimento cardíaco, inicia um processo de sudorese, altera o sistema digestivo e respiratório e, quando excessivo, pode até levar ao desmaio, uma forma extrema de fuga à situação. Além disso, o objeto desse medo intenso pode não ser tão signi - cante assim para a maioria das pessoas. Assim, uma característica da fobia é uma grande desproporção entre a emoção e a situação que a provoca, sem que tenha uma explicação razoável para isso, com ausência de controle voluntário e uma tendência à evitação dessa situação a qualquer custo.
A diferença entre fobia e medo é quantitativa: de tempo e intensidade!
• Etimologia •A palavra “fobia” deriva do grego Fobos (phobos), deus do medo, filho de Ares e Afrodite e irmão gêmeo de Deimos. Nas guerras, os dois sempre acompanhavam o pai, deus da guerra Ares. Fobos incitava um medo terrível nos inimigos, que fugiam ao se deparar com ele, sempre acompanhado de seu irmão Deimos, o terror. Interessante é que os dois nasceram de uma relação de estresse profundo, pois o marido de Afrodite, Hefesto, sabendo que ela mantinha encontros com Ares, preparou uma emboscada. Hefesto era um exímio ferreiro e montou uma armadilha que aprisionou os dois amantes em uma rede invisível. Como castigo exibiu os dois nus aos deuses numa grande humilhação pública. No entanto, Fobos e Deimos ainda têm uma irmã: Harmonia! Podemos então imaginar que, da Mitologia, vem uma lição sobre o surgimento e a possibilidade de harmonização das emoções provenientes do medo patológico.
FilogenéticaDurante a evolução, algumas “predisposições  logenéticas” (SELIGMAN, 1970) selecionaram comportamentos de evitação para a sobrevivência das espécies. Essa proposta explica uma universalidade de alguns medos, que podem passar a fóbicos, por alguma experiência traumática ou não. Em verdade, existe uma forte vulnerabilidade constitucional que predispõe as pessoas a desenvolverem transtornos de ansiedade em relação a esses medos que já vêm implantados em nossa memória genética, tais como: insetos, lugares altos ou fechados, animais predadores, escuridão, água e fogo, situações ou elementos que podem causar dano letal. As fobias relacionadas a esses gatilhos seriam, por assim dizer, mais naturais, pois bastaria apenas uma experiência mais forte para ocasionar o processo de surgimento de uma verdadeira fobia.
Isso facilita entender por que alguém que nunca teve um contato direto com o mar possa sentir medo diante da visão, pela primeira vez, da imensidão azul. Existe um programa rodando dentro do cérebro, preinstalado, que alerta sobre o perigo do afogamento. Após se sentir seguro – aprender a nadar ou adquirir uma boia –, este processo de evitação pode ser diminuído ou totalmente extirpado. Caso contrário, se, em alguns casos, ocorre um evento que quali que a água como real perigo, o medo será intensi cado a ponto de poder se transformar em uma fobia. Naturalmente, acreditamos, deve valer para todos os objetos e situações previstas como de risco pela nossa aventura evolucionária.