terça-feira, 11 de junho de 2013

Intuição, dom ou função?


Intuição, dom ou função?



Intuição vem do latim, intueri, que significa olhar, ver. É o ato de ver, de perceber clara e imediatamente uma verdade sobre alguma coisa, sem interrupção do raciocínio. Uma percepção, uma sensação, um sentimento, um conhecimento, um anúncio etc.. .
Considerada o sexto sentido por muitos, é um atributo ou função inerente a todos os indivíduos. Embora se tenha a idéia de que ela é mais feminina do que masculina, ambos os sexos a tem igualmente.
Não é um dom místico, uma inspiração divina ligada a qualquer religião. Todos nós somos capazes de tê-la ou até desenvolvê-la.
A intuição pode ser definida como um conhecimento que surge sem o uso da lógica ou da razão, ou ainda, um conhecimento que queima etapas. Não é necessário se conhecer todas as premissas, para se chegar a uma conclusão. Aquilo brota na consciência, sem dúvidas ou subterfúgios.
Pode aparecer sob a forma de sonhos, sensações, conhecimento puro, insights ou explosões de criatividade etc… Como flashes que alertam sobre o perigo e indicam a saída mais propicia para algum impasse.
Os mais céticos acreditam que essas impressões momentâneas são apenas fruto da imaginação. Ou ainda, que somos incapazes de lembrar daquilo que intuímos errado. Guardamos somente o que deu certo e reportando aos outros, como uma forma de nos vangloriarmos de nossa qualidade superior as das demais pessoas.
É o método filosófico por excelência. Segundo a dialética platônica, primeiramente temos a intuição de uma idéia (intuição primária) e num segundo momento, fazemos um esforço crítico para esclarecê-la (intuição propriamente dita). Segundo Descartes, existiriam três métodos: o pré-intuitivo, que tem o objetivo de alavancar a intuição; o analítico que leva à intuição e o intuitivo propriamente dito, método primordial da filosofia.
Para filosofia podemos defini-la como um meio de se chegar ao conhecimento, que se contrapõe ao conhecimento discursivo. Consiste num ato do espírito, que prontamente, se lança sobre o objeto, o apreende, o fixa, o determina. Vale tanto quanto uma visão, uma contemplação.
Existem em várias formas: sensível, imediata ou direta; espiritual, visão do espírito; intelectual, uso das faculdades mentais; emotiva ou emocional e a volitiva ou da vontade.
Já para a psicologia, o conhecimento se dá através de três perspectivas: a intuitiva, que usa o senso comum e o pensamento intuitivo para chegar à resposta mais certa; a dedutiva, que usa a especulação lógica e filosófica para encontrar uma resposta mais razoável e a indutiva, que usa métodos científicos para reunir fatos novos para dar a resposta mais provável.
Duas questões acompanham as discussões sobre a intuição: 1. A necessidade de experiência ou conhecimento acumulado sobre determinado assunto ou objeto, que permitiria um melhor acesso à intuição; 2. Apenas um relaxamento, uma percepção apurada, uma manifestação espontânea daria acesso a conteúdos intuitivos.
Do ponto de vista fisiológico, ela ocorre no córtex pré-frontal, uma das estruturas cerebrais que demora mais a madurecer. Isto pode explicar porque os indivíduos mais jovens tomam decisões sem pensar, sem intuir.
Como nos sonhos, capta de forma simbólica, flashes ou fragmentos da realidade. Os seus símbolos devem ser interpretados e organizados numa forma ou visão coerente. A interpretação dos sonhos já foi apontada como uma das técnicas que propicia o desenvolvimento da intuição.
Atualmente, as empresas estão a valorizando como sumamente importante, para a tomada decisão, em todos os níveis, especialmente, no gerencial. Portanto, indivíduos considerados intuitivos, possuem alto valor no mercado empresarial.
Carl G. Jung, fundador da Psicologia Analítica, postulou que a intuição utiliza a psique para discernir sobre fatos e pessoas. Seria uma das quatro maneiras de se entender o mundo e a realidade ou uma das quatro funções psicológicas básicas. Junto com isso, essas funções seriam vividas de duas maneiras ou atitudes – extrovertida ou introvertida. Não existiria casos puros e essas atitudes se alternariam de modo excludente, as duas não ocorriam simultaneamente. A personalidade de cada um se manifestaria através da combinação de uma função dominante e outra auxiliar, com outras duas mais fracas e da predominância de uma dessas duas atitudes.
A intuição para Jung seria uma forma de processar as informações em termos de experiência passada, objetivos futuros e processos inconscientes. Pessoas intuitivas dariam significado às percepções com grande rapidez, sem separar suas interpretações dos dados sensoriais, relacionando automaticamente a experiência passada, a imediata e a futura.

domingo, 9 de junho de 2013

Porque a piriguete não mexe comigo


Adoro mulher linda e gostosa. Mesmo. Mas para esse texto se aplica aquele bordão: ‘uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.’

Uma coisa é a mulher bonita que sabe disso e sai de saia e bicicletinha porque ela quer assim e foda-se você. Outra coisa é a mulher que não sabe a beleza que tem e vai buscar aprovação alheia diminuindo o tamanho das roupas.
Sedução não é só cinco centímetros a menos no vestido. É voz. É boca. É o papo sobre aquela banda. É o beijo na bochecha e não a bochecha na bochecha. É o ‘não’ que significa ‘não’ simplesmente porque estou lidando com uma mulher de personalidade. Adoro mulher que rebate.
E não, não sou ciumento com roupas curtas e provocantes. Quem já namorou comigo, sabe.
A piriguete, pra mim, é como a criança que não sabe como conseguir o Danoninho e se joga – aos berros – no corredor do mercado. Há algo ali gritando ‘olha pra mim, olha pra mim’.
Ao longo da vida eu adquiri a tendência de preferir as mulheres mais bem-resolvidas. As que não precisam gritar; nem com a boca, nem com a roupa. Sempre desconfio daquela que não sabe brincar de ‘mostra-esconde’, ou seja: se mostra o peito, esconde a coxa, se mostra a coxa, esconde o peito. Não acho que ela seja vaca, puta, rodada ou qualquer nome que você queira dar (e mesmo que seja, isso é problema só dela). Apenas desconfio que ela tenha poucos argumentos em um jogo de sedução. Afinal, gastou a manilha logo na primeira rodada. A piriguete é um anti-jogo na sedução.
Não que as 267 fotos de biquíni ou micro vestido no álbum do Facebook não me chamem a atenção. Chamam sim. É que, conforme vivi, aprendi que aquilo dito no meu ouvido me transforma mais do que o dito aos meus olhos. Quase um tesão musical. Apenas fiz a minha opção.
Não que sexo na primeira noite transforme alguém em piriguete. Aliás, acho que é o contrário: me parece que a piriguete se contenta em gastar a sensualidade na telinha e seus likes ou na baladinha. Ela esquece da cama, se torna mulherzinha.
Ao contrário do que possa parecer, esse meu texto não vem de um subconsciente machista atuando em um discurso fantasiado. É apenas aquela sensação estranha de ‘cão que ladra, não morde’. E eu quero mordida. Muitas.


Sobre o autor Fábio Chap


Escrevi. Escrevo. Escreverei? Faz 10 anos que coloco as letras para fora. Sempre para me expressar. Conto história sobre tudo porque penso de tudo. Não sei se isso é uma vantagem. Enquanto não descubro, vou escrevendo no blog fabiochap.wordpress.com
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quarta-feira, 5 de junho de 2013

SENTIDOS DO AMOR ....SENSAÇÕES.... UM TOQUE MÁGICO....

Os nossos sentidos....
Audição....Olfato....Paladar....Visão....
Perceber a vida sem eles....Impossível? Sim....Não....
Filme que me tocou profundamente pois nos ensina o real significado de AMAR....



No link abaixo você consegue assistir....

http://assistirfilmesdecinema.blogspot.com.br/2013/05/sentidos-do-amor-perfect-sense-dublado.html


domingo, 2 de junho de 2013

A invenção do amor....A DIFERENÇA DO TER E DO SENTIR....

A invenção do amor....A DIFERENÇA DO TER E DO SENTIR....




Vítimas preferenciais de cafajestes: mulheres (emocionalmente meninas) arrogantes o suficiente (ainda que não o saibam) para achar que podem mudar a jeito de outra pessoa. Resumindo: jogadoras passivas.

VÍTIMAS DE CAFAJESTES: 7 DICAS PARA SABER SE VOCÊ SERÁ UMA


Levantei uma frase que causou comoção no facebook e gostaria de explicar mais meu pensamento.

A típica mulher que vê probabilidade amorosa em tudo. Como ela é meiga
A frase:

Vítimas preferenciais de cafajestes: mulheres (emocionalmente meninas) arrogantes o suficiente (ainda que não o saibam) para achar que podem mudar a jeito de outra pessoa. Resumindo: jogadoras passivas.

Não é de hoje que as mulheres adoram se queixar de homens sacanas que pintam e bordam com seus coraçõezinhos frágeis.
Não duvido que existam homens mentirosos, de caráter duvidoso e realmente interessados em bagunçar com a mulherada sem dó.
Digo o mesmo quanto as crimes que acontecem em qualquer lugar. Os bandidos estão aí, mas o que leva uma vítima ser vítima? Em função disso surgiu uma ciência dentro da criminologia chamada vitimologia que em essência é o estudo do que predispõe ou facilita uma pessoa mais facilmente ser feita de vítima. Não é atribuição de culpa, mas de um repertório comportamental, social e psicológico que uma pessoa tem que coloca ela num grupo de risco criminal.
Pessoas que tem uma visão de mundo com escassez, que poucos se dão bem (ela também poderia), que acredita na sorte e são crédulas costumam ser alvos fáceis de golpistas baratos que vendem um cartão premiado.
No caso dos cafajestes existe uma série de características que predispõe uma mulher a ser mais facilmente conduzida a ser “enganada” e ter seu coração partido. É uma complementaridade entre o homem e a mulher, nunca um lado só da moeda, sempre co-participação.

1- Crença de que pessoas mudam com um esforço da mulher
A velha crença de que a mulher pode dar um jeito em tudo induz muitas a pensarem que basta uma meia dúzia de ações mágicas e muito amor no coração para engajar um homem a se converter num “bom homem”. Ninguém muda um comportamento pelo esforço de outra, a não ser pelo próprio e se isso faz sentido para ela.
Aquele sonho de que a dedicação à alguém pode realmente transformar a personalidade de outra pessoa é fictícia, dentro ou for a do casamento.
2- Ideia de que relacionamento é dificuldade do homem
Muitas dizem que os cafajestes tem medo de um relacionamento ou não querem se entregar. Sinto muito isso é o que ela gostaria de acreditar. Se for uma mulher realmente impactante na vida dele pode até gerar um desconforto e ele resolver descer naquela estação de vez. Mas se ele não tiver vontade, pode ser alguém fantástico e nada acontecer. Quando vocês dizem “ele não quer se entregar” eu traduzo como “ele só quer transar, sem rastros, e vc deve ser nota 3 (no máximo 5) no conceito dele”
3- Não pode haver incompatibilidade
O cara simplesmente não gostou de você, e daí? E daí que mulher nenhuma está acostumada a ver a si mesma como alguém que mereça ser rejeitada. Muitas acham um ultraje serem recusadas depois de terem cedido tanto tempo, esforço e sexo. Se ela transou, deu presentinhos e disse que amava porque ele foi embora? Porque quis, oras, você não foi nada de especial para ele, paciência. Conforme-se, você não é a última maravilha do mundo. Ou já se esqueceu da infinita quantidade de homens que você já deixou de lado porque “não fazia seu tipo”.
4- Sou perfeita, como assim?
Bonita, inteligente, educada, de boa família, isso resume uma mulher perfeita? Paris Hilton também é assim. E por esse motivo qualquer homem deveria parar o que está fazendo para cortejá-la e reverenciar seus dotes supremos? Não. Então existe uma certa prepotência em se achar especial e capaz de converter qualquer um em namorado. Os melhores vendores de Ferrari podem fracassar na venda, porque você deveria emplacar sempre?
5- Credulidade em verdade agradáveis
O cafajeste seduz dizendo o que a mulher gostaria que fosse verdade… “vc é maravilhosa”. Ela sabe que não é, mas quer acreditar que seja e aceita o golpe. Bem difícil ouvir certa crueldades e sair em paz com aquilo. Você ouviria numa boa ele dizer: “você está gorda e é nota 3 no meu conceito, nunca vou ficar com você.”
Então, a ideia de decepção é bem relativo, afinal, qual o grau de honestidade que uma mulher suporta lidar. Se ele disser “quero transar com você e nada mais”, você apenas transaria e ficaria em paz? Ou ficaria dizendo que foi usada e coisas do gênero (mesmo transando)?
6- Promessas
Quem acredita em promessa é criança que espera o Papai Noel, quem é adulto, sabe que se existe uma discrepância entre fala e comportamento devemos confiar no comportamento. Então se ele diz que vem e não vem, que vai conhecer seus pais e não conhece, que vai te agir de modo diferente e não age você tem que apertar o botão EJECT. Sem dó. Não espere que algo irá mudar, pois com o tempo, sem a pressão da chantagem que você fez ele volta a fazer tudo como antigamente. Simples.

7- Arrogância
A arrogância que falei na frase está muito mascarada em formas de delicadezas femininas que elas não percebem. Mulheres inocentes são aquelas que sustentam uma fantasia de pureza, e querer ser puro é sinal da prepotência de estar além do bem e do mal. Mulheres despreparadas mantem a ilusão de que nada de mal pode acontecer com ela, fantasia de ser especial, arrogância também. E as sonhadoras nutrem a ideia de que existe um mundo encantado sem nenhum contratempo, arrogância.
Aquela ideia de ‎”mudar o homem para melhor” é bem prepotente também, pois o melhor é do lado dela. Ninguém perguntou se era o lado dele.
Agora o ponto que destaco é vocês, mulheres, querem mudar?
Fácil apontar e dizer: CAFAJESTE, difícil olhar para o espelho e dizer: DONA DO MUNDO.
Quer dizer que você tem que ficar azeda, amarga, arredia e refratária a todo homem eu digo que não, mas lúcida já é um bom começo.
Se você cai na conversa do cafajeste é porque ainda vive no mundo perfeito onde todos os seus sonhos podem se realizar. Você e o cafajeste estão enganados de si mesmos, no mesmo patamar.
Como eu disse é uma complementação, nada mais.

QUEM TERMINA É SEMPRE O VILÃO?

QUEM TERMINA É SEMPRE O VILÃO?


Um grande dilema que certas mulheres vivem é a de perceber seus parceiros completamente encostados na vida e se sentirem culpadas por desejar o rompimento de uma história morna e sem energia.
Será que é?
Será que é?
Quando ela imagina o término consegue quase prever as vozes de parentes (dos dois lados) condenando a decisão por considerá-la precipitada.
“Ele é tão bom para você!”
“Não se encontra homens tranqüilos assim em qualquer lugar”
“Casamento é assim mesmo tem que agüentar”
“Você é que tem que ajudá-lo a se encaminhar”
Percebem a aura de vilão que se cria sobre a mulher que deseja se separar de um namorado/marido passivo?
Ele não é um cara sacana, não trai, não cria confusão, mas também não faz nada demais, não faz diferença no mundo, nem errar ele erra. Chega a ser um cara sem personalidade, que não dá opinião em nada e nunca se posiciona em questões relevantes. Sua cara é de desconsolo e a frase favorita é: “você que quem decide”.
Na condução da casa, na educação dos filhos, nos impasses do relacionamento ele é uma presença-ausente. Só faz número.
No quesito profissional só reclama, fala mal do chefe, se queixa do salário mas nunca se mexe para além do mundinho dele.
Só se coça sob ameaça ou constrangimento moral e falta de sexo. É cansativo para a mulher que quer um parceiro de vida e não um pagador de contas (se é que paga).
Parece sempre cansado, desestimulado e empacado na vida. Nenhum programa é interessante a não ser visitas familiares em horários previsíveis. Qualquer acontecimento inusitado recebe um olhar cansado de criança que não quer entrar na loja de roupa.
Ela não vê nada de admirável naquele cara que é a sombra de um homem e ainda tem que transar e fingir que gosta. Até o ponto que nem isso rola. Pior de tudo, ele nem percebe que o problema é esse.
O mais torturante é que ele é um cara conformado e nao questiona nada. No fundo acha que está tudo bem e se questionado vai alegar satisfação. Assim é fácil.
Na hora que ela resolve romper ele toma um susto e ainda ouve condenações dos defensores do “maridão”. As amigas tentam assustar dizendo que os homens no mercado são uns trastes e que ela deveria se conter e se agarrar nos filhos.
Ela se sente a pessoa sem coração que olhará um homem desconsolado com o divorcio como um filho abandonado pela mãe.
Nessa hora vai tentar ser o homem que nunca foi. Flores encantarão o jardim e serão acompanhadas de entrevistas de emprego e declarações românticas.
A mulher ainda olha para isso com uma esperança vazia acompanhada de dó por ver um homem se debatendo na própria falência pessoal.
Quando percebe o rompimento definitivo chora como criança e nem sabe como recomeçar.
Esse cara de bom coração na verdade se revela bom por covardia e não por escolha moral. Ele não faz mal porque não faz nada, é passivo.
Quem vê de fora vai apontar o dedo para essa mulher dizer que ela é uma ingrata e assanhada. No fundo ninguém notou que ela entrou numa barca furada desde o inicio alimentada pela visão romântica de que um dia ele ia melhorar. Não melhorou e nem piorou ficou igual.
Essa constância torturante é que mata e matou um relacionamento que poderia ter sido e não foi…
Adoramos encontrar vilões e mocinhos. Só a mulher de fibra vai encarar ser mal vista por essa platéia tão deprimente quanto o marido e buscar sua felicidade.
Se vai encontrar um cara melhor ou pior? Que importa, aquele peso morto no meio da sala definitivamente não é a companhia que quer ter ao seu lado por toda a vida.
Ps: esse texto poderia ser dito sobre os homens em relação as mulheres.
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MECANISMOS DE DEFESA

MECANISMOS DE DEFESA


Em algum momento da sua vida já deve ter fingido (ainda que não voluntariamente) que não estava sentindo ou pensando algo que seria óbvio para qualquer um. Provavelmente isso aconteceu numa situação em que foi traído ou estava prestes a ser mandado embora ou deixado pela pessoa amada. Agora você vai entender como consegue fazer como os macaquinhos abaixo mesmo em situações que não poderia agir assim.

As vezes agimos assim diante do óbvio
A Psicanálise fez inúmeras contribuições para a Psicologia de modo geral, uma das inúmeras ideias formuladas por Freud [leia mais] e seus seguidores (em especial Anna Freud, sua filha) foi a ênfase dos mecanismos de defesa.
O pressuposto de que a mente se dividia em 3 facetas vai nos permitir entender melhor. O id que seria uma dimensão inconsciente e originadora dos impulsos mais primitivos de sobrevivência, agressividade e sexualidade. O Superego que é o “depósito” de toda a moralidade conservada pela educação e influência cultural que recebemos. E por fim o Ego que irá administrar os impulsos vindos do id, negociar com as restrições do Superego e tentar se adaptar à realidade que o cerca.
Já fica bem claro que a ideia de que somos muito originais, cheios de uma personalidade própria e única cai por terra. Nossa mente é um punhado de contrariedades.
Os mecanismos de defesa seriam uma tentativa inconsciente do ego adaptar e amortecer os impactos desejos e sentimentos inaceitáveis para que eles se expressem de maneira menos desastrosa. Pela intensidade dos impulsos e as condições do ambiente surgem mecanismos mais rústicos e adaptativos e outros mais doentios e alienantes. Isso determina o maior ou menor grau de patologia de uma pessoa. Inevitavelmente eles são utilizados para diminuir o efeito doloroso que se passa na mente de alguém. Quanto mais rígida e bruta ela for emocionalmente mais será propensa a utilizar esses recursos que eclipsam uma realidade interna ou externa difícil.
  1.  Repressão: É a tentativa de fazer desaparecer da mente os impulsos ameaçadores ou sentimentos e desejos vistos como inoportunos e desagradáveis. Freud considerava essa a rainha das defesas e comuns a quase todas pessoas. Ex: quando a pessoa não se dá conta que está com raiva, mesmo que seja evidente pela fisionomia. [leia mais]
  2. Racionalização:  sujeito procura apresentar uma explicação coerente do ponto de vista lógico, ou aceitável do ponto de vista moral. Ex: quando alguém tenta explicar sua obsessão por doenças dizendo que se preocupa com a saúde [leia mais]
  3. Projeção: quando um impulso muito inaceitável e atribuído a outra pessoa. Ex: quando é difícil aceitar que somos invejosos e passamos a achar que todos nos invejam ou quando uma pessoa está com raiva e passa a achar que todos estão contra ela. [leia mais]
  4. Deslocamento: é quando um sentimento ou impulso é transferido de uma parte para um todo e vice-versa. Ex: quando a mulher tem uma experiência ruim com um homem e diz que todos os homens não prestam. Quando escolhemos uma pessoa amada com a característica original dos nossos pais. [fetiches]. Quando uma pessoa que foi abusada desloca o medo do agressor para uma fobia de uma figura inicialmente inofensiva (palhaço). [leia mais]
  5. Anulação: quando a pessoa tem uma ação que visa apagar o rastro do impulso ou ação anterior, como num ato mágico. Ex: bater na madeira quando se tem um desejo inaceitável ou faz o sinal da cruz quando tem um pensamento ruim. Tem pessoas que acham que o pedido de desculpa deveria anular imediatamente a ação destrutiva anterior. [leia mais]
  6. Fantasia: quando a pessoa cria uma imagem ou história que traga uma satisfação de um impulso originariamente frustrado. Ex: masturbações com a vizinha gostosa impossível. [leia mais]
  7. Identificação: é quando absorvemos (ou copiamos) um comportamento de outra pessoa em nossa própria personalidade. Ex: quando um filho cresce e age da mesma maneira opressiva que os pais. [leia mais]
  8. Regressão: é quando a mente regride a estágios mais primitivos. Ex: quando uma pessoa fica com ciúme ou brava e age de forma birrenta como uma criança de 3 anos.[leia mais]
  9. Isolamento: é quando um sentimento fica separado ou desligado do acontecimento original. Ex: quando fomos agredidos por alguém e depois de um tempo só sentimos uma raiva que não sabemos do que. Ou quando contamos um acontecimento traumático sem nenhuma (aparente) emoção. [leia mais]
  10. Negação: é quando se bloqueia o reconhecimento de uma verdade incontestável (dolorosa ou inoportunamente prazerosa). Ex: pais que se recusam a lidar com a sexualidade dos filhos (ou simplesmente perceber que cresceram). Ou quando uma pessoa não assume que pode ter sentimentos afetivo-sexuais por um membro da família.
  11. Somatização: quando a pessoa transfere para o corpo (em forma de dores e doenças) sentimentos e desejos originalmente inaceitáveis.Ex: pessoas que estão sempre doentes porque não admitem suas carências afetivas e sexuais. [leia mais]
  12. Formação Reativa: é quando se adota um comportamento exatamente oposto ao impulso original. Ex: mães superprotetoras que compensam uma culpa ou raiva inconsciente contra o incômodo e a intrusão dos filhos em sua vida ou a pessoa grudenta que não percebe quão raivosa está daquela que diz amar. [leia mais]
  13. Compensação: quando a pessoa hipervaloriza uma característica que originalmente considera deficitária. Ex: uma pessoa que se sente sexualmente inferiorizada e tenta fazer compensações financeiras ou excessivamente afetivas. [leia mais]
  14. Expiação: quando uma pessoa infringe um padecimento físico, emocional ou social para “pagar” algum pensamento ou ação que considerou inaceitável. Ex: quando uma pessoa tem uma postura ruim (inconsciente) no trabalho e é mandada embora como forma de pagar por ter agido mal com uma pessoa querida. [leia mais]
  15. Introjeção: quando a pessoa traz para si os sentimentos e traços de outra coisa ou pessoa. Ex: quando está diante de uma pessoa importante e ela própria se atribui importância e brilhantismo pessoal sem o ser (comum nos puxa-sacos). Ou um religioso que basta estar num templo para se sentir instantaneamente um ser especial.[leia mais]
  16. Idealização: quando uma característica ou qualidade de uma coisa ou pessoa é levado à perfeição como forma de obscurecer traços desagradáveis. Ex: pessoa que iludidamente atribui uma perfeição na pessoa amada (muito comum na fase de paixão)[leia mais]
  17. Reparação: tentativa de devolver a unidade de uma imagem que se fragmentou ou danificou.Ex: processo de luto em que se tenta superar a morte de uma pessoa por meio de rituais religiosos ou de devoção (positivo). Ou quando uma pessoa tenta agir como se tudo estivesse bem após uma separação amorosa de forma eufórica (negativa) [leia mais]
  18. Sublimação: (saudável) quando há um desvio e descarga de um impulso inoportuno para uma atividade socialmente aceita, mas que não deixe rastros de ressentimento ou sofrimento. Ex: pugilista ou cirurgião que dirigem sua agressividade para uma prática esportiva ou de cura. Uma pessoa que canaliza seus desejos sexuais para uma atividade voluntária  ou religiosa. [leia mais]
  19. Humor: (saudável) quando procura-se relativizar um sentimento ou comportamento inaceitável se divertindo consigo mesmo (quando não configura uma negação). Ex: quando um doente recém quimioterapeutizado brinca com sua queda de cabelo. [leia mais]
  20. Transferência: é um tipo específico de projeção sobre a figura de um cuidador (médico, psicólogo, líder religioso) de impulsos sexuais que tinham uma conexão original com a figura dos pais. Ex: pacientes que se apaixonam e idolatram (ou odeiam) a figura do terapeuta mesmo sem o conhecer profundamente. [leia mais]
Falo mais sobre como esses mecanismos interagem no nosso cotidiano no livro “Por que fazemos o mal?”.