quinta-feira, 8 de maio de 2014

Mentiras patológicas- "A Síndrome de Pinóquio"



Mentiras patológicas- "A Síndrome de Pinóquio"



Pesquisas mostram que todos mentem de uma forma ou outra e, assim sendo, a dificuldade da psiquiatria está em descobrir qual é a mentira patológica.
Em algumas ocasiões parece haver certa vontade social de envolver a psiquiatria na questão da mentira, notadamente quando alguma pessoa mente descaradamente, ou imotivadamente, compulsivamente e, principalmente, quando sua atitude mentirosa causa frustrações ou aborrecimentos em outros que não “merecem” tais mentiras.
De acordo com o dicionário Howaiss, mentira significa “dizer, afirmar ser verdadeiro (aquilo que se sabe falso); dar informação falsa (a alguém) a fim de induzir ao erro...” Assim sendo e havendo necessidade de se definir o que é mentir, diríamos que MENTIRA É DIZER SER VERDADE AQUILO QUE É FALSO A FIM DE INDUZIR O OUTRO AO ERRO.
Pesquisas mostram que todos mentem de uma forma ou outra e, assim sendo, a dificuldade da psiquiatria está em descobrir qual é a mentira patológica e qual é a mentira, por assim dizer, fisiológica. O importante é saber que todos mentem. Existem mentiras em várias áreas da atividade humana; a mentira religiosa, política, econômica, conjugal... A mentira institucional é aquela dos políticos, dos programas de governo, de instituições. São mentiras já mais ou menos aguardadas e socialmente tidas e sabidas como mentiras e mesmo assim com peso de verdade.
Pelas curiosidades em torno desse tema, talvez seja importante estudarmos um pouco a mentira em si, como fenômeno de falseamento voluntário da verdade, de oposição intencional à veracidade, como mecanismo de conveniência e convivência social, de estratégia de sucesso, como ferramenta do político, enfim, como habilidades de sobrevivência do ser humano (e parece não ser monopólio do ser humano).

A Mentira
A mentira não deve ser entendida apenas como uma espécie de contrário da verdade. Moralmente a mentira está muito mais relacionada à intenção de enganar do que à deturpação da verdade e, eticamente, a mentira está relacionada ao dolo ou prejuízo que causa a outra pessoa.

A mentira não é apenas invenção deliberada, uma ficção, pois nem toda ficção ou fábula é sinônimo de mentira. Não pode ser mentira a literatura, a arte ou mesmo os estados confusionais, as demências (sintoma da confabulação). Como foi dito, a intencionalidade, assim como o dano ou prejuízo é que define a mentira.
Também não mente quem acredita naquilo que diz, mesmo que o que diz seja falso. Santo Agostinho declara que Quem enuncia um fato que lhe parece digno de crença ou acerca do qual forma opinião de que é verdadeiro, não mente, mesmo que o fato seja falso”.

Não é correto considerar todas as mentiras da mesma forma e com a mesma culpa. Erra (e está mentindo) quem diz que não interessa o “tamanho” da mentira, interessa saber que é mentira. Existe a mentira convencional, como por exemplo, dizer Bom Dia às pessoas, sem que se esteja desejando que essa pessoa tenha realmente um bom dia.

Existe também a mentira humanitária, a qual consola o moribundo, ou a mentira carinhosa que elogia aquele penteado novo, existe o Papai Noel, para alegria das crianças e muitas outras. Além das mentiras ativas existem as mentiras por omissão, seja ela médica, política ou policial, enfim, todas essas maneiras de dissimular a verdade com propósito de atender as regras sociais ou confortar o próximo fazem parte da atividade humana gregária. 
É claro que não tem o mesmo peso social e ético a mentira que se diz para os anfitriões sobre o sabor da comida e aquela dita pelo ladrão “não roubei”. Por isso, a intencionalidade e o propósito definirão a mentira. Mentir é dirigir a outro um enunciado falso, do qual o mentiroso sabe a falsidade, mas o faz com objetivo de enganar, de levar esse outro a crer naquilo que é dito, dando a entender que diz a verdade.

Os casos onde se exclui o aspecto intencional da mentira pode ser muito difícil avaliar se uma verdade é mais ou menos verdadeira, nascendo daí a expressão “a verdade de cada um”. Isso é bem comentado quando estudamos as maneiras pessoais de representar a realidade e o significado do termo procepção.

Por que mentimos?
Algumas pessoas são levadas, por insegurança de aceitação de serem como são à tentação de enriquecer suas imagens e enaltecer suas habilidades de forma a causar uma impressão mais favorável em outras pessoas. Trata-se de uma espécie de mecanismo de defesa contra um sentimento de inferioridade. Nesses casos, é possível imaginar o grau do sentimento de inferioridade pela constância e tamanho das mentiras.

As mentiras sobre si mesmo conseguem sucesso enquanto não são desmentidas, pois nem sempre se pode aceitar a verdade sem algum tipo de sanção quando o demérito prevalece. Em geral, quando o relato de alguém sobre o que fez ou como agiu diante de uma situação passa a ser criticado, julgado negativamente, é provável que relatos assim não ocorram mais ou que sejam devidamente maquiados por algo diferente do que ocorreu. Isso vale para qualquer relação interpessoal. Um amigo continuará dizendo a verdade sobre o que pensa sobre você se ele for ouvido com isenção de ânimo. Pessoas falam na terapia coisas que nunca confidenciariam a ninguém por causa da atitude eticamente imparcial do terapeuta.
O mesmo ladrão que negou ter roubado diante do juiz, atribui-se mais roubos do que realmente tenha cometido para melhorar sua imagem diante dos companheiros de cadeia. É assim que o jovem se vangloria de proezas sexuais muito além do que tenha feito, superando a insegurança de sentir-se pouco viril, ou que a mãe aumenta um pouco o desempenho escolar de seu filho, tentando compensar o sentimento de inferioridade diante de outras mães satisfeitas com o rendimento dos filhos delas...

Além de a mentira atender direta e imediatamente aspirações próprias, ela satisfaz também interesses de forma indireta. É o caso, por exemplo, de nossos falsos julgamentos que diminuem, comprometem e execram pessoas as quais, de uma forma ou outra, ameaçam nosso bem estar emocional, nossos adversários competentes. Mentir é um recurso fácil de recorrer, sem necessidade de se passar por esforços ou penúrias, ainda que haja o permanente risco de ser descoberto.

A Mentira Branca 
O termo mentira branca faz referência às mentiras que a maioria das pessoas conta para melhorar o relacionamento social, para evitar conflitos e ofensas.  Trata-se da mentira socialmente aceita, inocente e destinada a manter a harmonia dos relacionamentos. Seria aquela mentira boa e socialmente aceita.

A mentira branca é fisiológica, demagógica e universal. É o elogio generoso do tipo – “ora, você está sempre igual, parece não envelhecer...”. Até certo ponto a mentira fisiológica serve também para a elaboração das mais esfarrapadas desculpas “– não pude comparecer ao enterro porque uma tia minha teve que ser internada...” E o interessante é que o outro, igualmente mentiroso fisiológico, também mente, fingindo acreditar.
Devido à freqüência praticamente unânime da mentira branca, há uma tendência em banalizá-la ou, inocentemente, denominar essa mentirinha cotidiana de mentira positiva, aquela que além de não prejudicar pode até ajudar pessoas: “–... o senhor me parece mais saudável hoje do que ontem”, ou “– conheci seu filho, um jovem magnífico”.

Enfim, a mentira fisiológica, positiva ou branca pode até facilitar a integração social, é tão protocolar que as pessoas com inata dificuldade para essas mentirinhas corriqueiras são tidas como ingênuas, pouco habilidosas socialmente, sem jeito ou sem “jogo de cintura”.

O Mentiroso
As pessoas aprendem desde cedo as vantagens da mentira. As crianças mentem com freqüência para seus pais em função da repreensão ou aprovação. Precocemente as crianças aprendem a mentir quando uma das avós pergunta de qual avó ela, a criança, gosta mais. E como o resultado dessas mentiras infantis é bom (não são punidas, ganham aprovação, satisfazem expectativas...), elas continuam com esta prática devido ao reforço positivo.

Tem ainda a questão das crianças serem estimuladas a mentir pelos próprios pais. É comum a mãe, não querendo atender ao telefone, pedir para a criança dizer que ela não está. Ou, mais grave ainda, conseguir um atestado médico para a criança não fazer ginástica, faltar às provas, viajar e abonar as faltas, etc.

Mas o mentiroso também passa por dificuldades, e quanto mais cai na tentação de mentir, tanto mais difícil vai ficado controlar a abundante base de dados das versões de suas mentiras, mais difícil vai ficando garantir a coerência das estórias, mais necessidade de novas mentiras para encobrir as antigas... a farsa cresce em progressão geométrica.

Uma das razões interiores mais comuns para mentir é a insegurança ou baixa auto-estima. Como dissemos, a mentira passa ao outro uma imagem de nós próprios muito melhor do que de fato acreditamos ser. Mente-se também por razões externas, de acordo com as  pressões para sucesso na vida em sociedade, por razões políticas ou até econômicas, quando o prejudicado for o fisco.

Finalmente há mentiras por razões patológicas, desde aquelas determinadas por uma personalidade problemática, até as outras, produzidas por neuroses francamente histriônicas, como é a Síndrome de Münchhausen e de Ganser.

Mentirosos contumazes, de dinâmica psíquica rica em conflitos e complexos, que representam personagens tal como fazem os atores, e refletem aquilo que gostariam de ser. Ao  perderem o controle  sobre o impulso de mentir o personagem criado suplanta o ego e a personalidade toda é tomada por um falso e inautêntico ego.
Menosprezando a Realidade
Obviamente, nem todas as vezes que a realidade é falseada, distorcida, recriada ou substituída se constituirá uma mentira. Na Demência, por exemplo, a cognição é de tal forma comprometida que a pessoa relata aos outros um mundo profundamente modificado e no qual acredita, sem a intenção de ludibriar. O mesmo acontece no Delírio, seja do psicótico esquizofrênico, do delirante crônico ou do deprimido grave com sintomas psicóticos.

Aliás, desde crianças aprendemos a abstrair a realidade através dos devaneios, fantasias, fábulas. A própria literatura pode nos conduzir a um mundo apaixonante de mentirinha. E como a concepção da mentira se embasa na intencionalidade, esta pode ser singela e acanhada, como é o caso de uma mentira tosca e pueril da pessoa que namora, mas afirma o contrário, com o propósito de facilitar uma conquista amorosa, até uma mentira de proporções inimagináveis, como por exemplo, o falso relatório sobre a existência de um arsenal de armas de destruição em massa no Iraque, como justificativa para uma guerra igualmente de destruição em massa.

Há a mentira institucional, quando a propaganda mal intencionada tenta convencer de que toda corrupção governamental será devidamente apurada e apenada. Bem ilustra isso, Hannah Arendt, lembrando que “As mentiras sempre foram consideradas instrumentos necessários e legítimos, não somente do ofício do político ou do demagogo, mas também do estadista” (in. Derrida, 1996).
Mas não é intenção deste trabalho discorrer sobre espécies de mentiras dissimuladas em regras de convivência e sucesso social, como por exemplo, garantir que se usando tal creme cosmético haverá pronto desaparecimento de rugas, ou que esse plano de saúde realmente é melhor que os outros... Não seria adequado, aqui, atribuir ao marketing o exercício da má fé.
Mentira como sintoma de Patologias
Síndrome de Münchhausen
O hábito arraigado de mentir fantasticamente pode refletir um Transtorno da Personalidade que alguns autores chamam de “pseudologia fantástica”, que seria caracterizado por uma compulsão a fantasiar uma vida fictícia para causar grande mobilização e perplexidade em outras pessoas (Catalán, 2006), outros autores denominam de Síndrome de Münchhausen.

Nesta síndrome a pessoa não suporta a ideia de ela ser comum, normal, trivial, igual aos outros... Não. Ela tem que ser super especial, tem que ter peculiaridades completamente excepcionais e fantásticas.  Essa inclinação impulsiva para a mentira reflete uma grande vontade em ser admirado, de ser digno de amor e consideração pelos demais, conseqüentemente reflete uma grande insatisfação com a real e medíocre condição existencial.

A Síndrome de Münchhausen é relativamente rara, de difícil diagnóstico, e caracterizada pela fabricação intencional ou simulação de sintomas e sinais físicos ou psicológicos sempre de natureza fantástica em um filho ou em si próprio, levando a procedimentos diagnósticos desnecessários e potencialmente danosos. Há sempre uma fraude intencional nessa síndrome.
Depressão Grave
Alguns casos de depressão grave também podem ser acompanhados de mentiras patológicas. Nessa situação a pessoa se coloca em um verdadeiro emaranhado de estórias, desculpas e relatos que vão cada vez complicando mais a sustentação da mentira.
As mentiras iniciais na depressão têm, normalmente, o propósito de ocultar algum acontecimento que deixaria outra pessoa triste, aborrecida, decepcionada. Daí em diante, há contínua necessidade de novas mentiras para completar a primeira. Percebe-se que, consoante a preocupação do deprimido com o sentimento do outro, ele mente para poupar maiores sofrimentos desse outro, mas o resultado é sempre desastroso. Na depressão as mentiras, ao contrário da sociopatia, são acompanhadas de importante sentimento de culpa e arrependimento.

Transtornos do Controle dos Impulsos
No Jogo Patológico, na Cleptomania, na Bulimia, na Dependência Química e outros Transtornos do Controle dos Impulsos existem muitas mentiras, cujo objetivo é ocultar um comportamento sabidamente reprovado socialmente.


Personalidade Anti-Social
O quadro mais grave onde a mentira aparece como sintoma importante é o Transtorno Anti-Social da Personalidade, ou Personalidade Psicopática.  Embora qualquer pessoa possa mentir, temos de distinguir a mentira banal da mentira psicopática. O psicopata utiliza a mentira como uma ferramenta de trabalho. Normalmente está tão treinado e habilitado a mentir que é difícil captar quando mente. Ele mente olhando nos olhos e com atitude completamente neutra e relaxada.


Normalmente o psicopata diz o que convém e o que se espera para aquela circunstância. Ele pode mentir com a palavra ou com o corpo, quando simula e teatraliza situações vantajosas para ele, podendo fazer-se arrependido, ofendido, magoado, simulando tentativas de suicídio, etc. Essa mentira não tem culpa.

A personalidade do psicopata é narcisística, quer ser admirado, quer ser o mais rico, mais bonito, melhor vestido. Assim, ele tenta adaptar a realidade à sua imaginação, a seu personagem do momento, de acordo com a circunstância e com sua personalidade é narcisística. Esse indivíduo pode converter-se no personagem que sua imaginação cria como adequada para atuar no meio com sucesso, propondo a todos a sensação de que estão, de fato, em frente a um personagem verdadeiro.

As razões que levam as pessoas a mentirem de forma compulsiva são variadas, mas seus efeitos são similares: o primeiro a ser enganado é o próprio contador, que não vê a fronteira entre a verdade e a fantasia, afasta-se da realidade e encaminha-se pouco a pouco a uma crise emocional. O que fazem, sentem e procuram os mentirosos? O que encobre suas mentiras? Como identificá-los?
Embora em alguns casos a mentira patológica seja a característica mais notável do comportamento de um indivíduo, este quadro costuma ser apenas a ponta do iceberg de uma pessoa que pode ter uma personalidade patológica, distúrbios psicológicos e problemas psiquiátricos ou distintos conflitos e carências emocionais.
Alguns mentirosos patológicos têm consciência da sua incapacidade de estabelecer um diálogo sem que nele haja mentiras, mas, no entanto, não conseguem controlar esta conduta. Outros não percebem suas mentiras e vivem em um mundo de fantasias. Todos pagam um alto preço por inventar, deturpar e aumentar a verdade: vivem "vidas de mentira", repletas de fantasmas, mal-estar e problemas que não são solucionados.
10 sinais que indicam quando uma pessoa está mentindo
1)Tensão nos músculos faciais:
O cérebro tenta evitar que o rosto mostre qualquer reação.
2)
Sem contato visual:
O olhar tenta desviar-se. Se no ambiente tem uma porta, é para ela que o (a) mentiroso (a) vai olhar.
3)
Braços, pernas ou dedos cruzados:
É um jeito que o (a) mentiroso (a) encontra para defender-se.
4)
Sorriso de boca fechada:
é uma forma usada para fingir sinceridade.
5)As pupilas ficam estreitas:
O corpo denuncia a mentira.
6)Fala acelerada:
O (a) mentiroso (a) quer acabar logo com a conversa.
7) 
Cabeça indecisa:
A cabeça balança em sinal negativo ao dar um "sim" como resposta, ou vice-versa.
8)
Mãos escondidas:
Algumas pessoas acham mais fácil mentir com as mãos enfiadas nos bolsos.
9)Palavras engasgadas:
Quem mente muitas vezes começa a gaguejar.
10)
Simpatia exagerada:
O (a) mentiroso (a) quer a sua admiração, assim você vai acreditar nele (a) mais facilmente.
Mais uma vez, espero que vocês tenham gostado!
Até a próxima!

















quarta-feira, 7 de maio de 2014

UMA NOVA FORMA DE REPRESENTAÇÃO SOCIAL...Roberta IdaFranches e Gabriel Caixeta

UMA NOVA FORMA DE REPRESENTAÇÃO SOCIAL

Por Gabriel Caixeta e Roberta IdaFranches 





A partir da Revolução Industrial o homem pôde vivenciar uma nova e única experiência, a produção em massa. Com ela a dinâmica de vida mudou radicalmente e concomitantemente o “progresso” não parou. Na virada do século XX início do século XXI o homem assiste uma nova explosão de desenvolvimento, a tecnologia se expande e novamente a configuração social muda.

Neste caminho, a internet começa a fazer parte da sociedade de maneira irredutível. A pesquisa de informação, a leituras das principais notícias, a troca de conteúdos, a publicação de imagens, a partilha de opinião, o contato com os amigos, à distância de um clique, é possível um sem fim de tarefas que nos permite estar permanentemente ligados ao mundo exterior.

Logo em seguida, observa-se um crescente uso de celulares. Além de sua portabilidade, eles passam a ser “completos”. Se antes o homem dispunha da internet como instrumento de comunicação, hoje, é possível ter tudo isto nas mãos. Os celulares passam a conectar o humano ao mundo. Os celulares parecem não ter limites quando se fala em evolução. Cada vez novos recursos aparecem, melhorias são adicionadas e tudo continua ocupando o mesmo espaço.

Diante de um novo arranjo social foi – e ainda é – preciso que se estude e se atente para este novo fluxo. Mediante a isto, a psicologia social e mais especificamente o construcionismo social nos ajuda nesta leitura.
Segundo Gergen (1985), os estudos sócio-construcionistas focam-se nos processos cotidianos, ou seja, como as pessoas falam, percebem e vivenciam o mundo em que se encontram. A postura básica desta perspectiva é ser crítica à naturalização dos fenômenos sociais. A base conceitual do construcionismo, define como realidade, as pessoas e os fenômenos psíquicos como sendo produzidos discursivamente. Tudo é construído nas relações.

Com o uso de celulares como instrumento de comunicação indispensável, a configuração das relações mudou drasticamente. A nova construção social se baseia em relações sem grandes intimidades pessoalmente, contudo, virtualmente as pessoas se relacionam de maneira ilimitada. É um contexto paradoxal, ao mesmo tempo em que não há um contato com o outro, há um contato com o mundo – consequentemente o outro.

Diante desse olhar teórico, vemos como nossa sociedade passou e vem passando por diversas mudanças, vivemos hoje uma nova era, marcada por inovações tecnológicas, inovações em celulares, computadores, acesso a informação com rapidez tudo para trazer maior facilidade e praticidade para a vida do novo homem, o homem da tecnologia, coisas que seus antepassados nem sonhavam em possuir. Esse homem é marcado por assumir várias representações dentro de uma mesma sociedade, é pai, marido, irmão, trabalhador e consumidor, um indivíduo sobrecarregado pelo estresse e cobranças do dia-a-dia e que muitas vezes não consegue estar presente em todos os lugares. E que possui a necessidade de se comunicar com maior frequência e agilidade com os outros.

Não é necessário procurar muito para que se possa ter a noção da importância que o celular passou a ter na vida desses indivíduos. Atualmente o telefone celular deixou de ser acessório para se transformar em objeto insubstituível de vários indivíduos. Pessoas conectadas uma com as outras em tempo integral, mandando mensagens (SMSs), atendendo chamadas, fazendo compras, realizando reuniões, dentre todas as outras atividades que antes seria necessário à presença física do mesmo.

Os aparelhos celulares passaram a servir de ferramenta para uma nova geração, uma geração que está sempre conectada e numa explosão de troca de informações. Jovens e adultos que não podem esperar o tempo passar, que precisam ser ágeis, rápidos para estar sempre à frente em determinado assunto, que não perdem uma piada entre amigos, que participam em tempo real de notícias e da rede.

Vemos a importância que estes aparelhos passaram a ter para essas pessoas, chega-se a um ponto em que esses indivíduos que tem a grande necessidade de estar em constante comunicação com o outro, começa a perder o significado de “estar presente”, observa-se essas pessoas muitas vezes sentadas em grupo numa mesa de um restaurante, todos com os celulares ligados, postando algo, enviando alguma SMS, ou tirando fotos para registrar momentos muitas vezes raros.

Pessoas extremamente tímidas passam a usar os celulares como ferramenta para conseguir interações sociais, outros nem se quer conseguem realizar tarefas simples como se lembrar de um jantar se não tiver um aviso em seu aparelho.

Como consequência dessa inovação, observamos uma perda de contato físico entre seres humanos. Com toda essa facilidade e qualidade na comunicação virtual algumas pessoas passam a não ter mais a necessidade de estarem juntas, de se tocarem, de se olharem e o mais importante de trocarem experiências. Tudo passa a ser realizado virtualmente; sejam por vídeos, mensagens, telefonemas, redes sociais, etc.

Exemplificando a importância em relação ao celular na nossa atualidade, utilizamos o filme Textuality, intitulado no Brasil como Mensagens de Amor, que conta a história de duas pessoas acostumadas a vivenciar seus relacionamentos por mensagens de celular. Demonstrando de forma fiel a dependência deste acessório digital nas relações e na própria vida do indivíduo.

Na atualidade as relações tornaram-se menos definidas ao longo do tempo e hoje é difícil até saber se você realmente está em uma. Os relacionamentos indefinidos são praticamente a tendência do momento. Hoje, a lógica da sedução impera e como resultado muitos casais caem em uma nuvem cinzenta que se assemelha a um tipo de relacionamento, mas que não tem a exclusividade e respeito que um romance real exige. E esta situação pode se adequar melhor aos homens do que às mulheres. "É importante para as mulheres terem uma posição definida", diz Marshall. "Elas são mais ligadas a relacionamentos por natureza e precisam saber o seu papel com um homem para se sentirem confortáveis."

Como vivemos uma era do “Fast-People”, tudo gira em torno do que é rápido, ou seja, demorou você já se tornou obsoleto, ultrapassado. Com constantes modificações, de estilo, de relações, a tecnologia aplicada não poderia ficar para trás.

Aproveitando uma demanda que possui paixão pelo novo e que faz crescer nos indivíduos hiper modernos, a urgência do ter para “ser”.

A grande questão aqui é justamente esta; a preocupação que se tem com o excesso da intimidade entre as pessoas e os celulares.

Segundo o psicólogo responsável pelo Ambulatório Integrado dos Transtornos do Impulso do Hospital das Clínicas de São Paulo, esse vício pelos aparelhos celulares pode virar patológico, ou seja, uma doença. Pois, nesse mundo em que todos são tão cobrados, o celular representa um canal para alívio de tensões e, com todo o aparato tecnológico que os celulares de hoje em dia possuem – rádio, câmera, internet, TV, GPS e tudo mais – eles oferecem uma sensação de que podemos ter controle de tudo e resolver qualquer problema e até carências afetivas através desse único aparelho.

Estudos veem mostrar que para acompanhar essa nova era tecnológica de tantas praticidades surge uma nova fobia, chamada de Nomofobia. A palavra vem do inglês “no mobile phobia” que, literalmente, significa o medo de ficar sem celular.

A chamada nomofobia vem dar nome a sensação de angústia que surge quando um determinado indivíduo se sente impossibilitado de se comunicar ou se vê incomunicável estando em algum lugar sem seu aparelho celular. É válido ressaltar que alguns pesquisadores não consideram a nomofobia como um transtorno de ansiedade e sim como algo relacionado à dependência, acreditam que as pessoas que sofrem deste “mal” são sensíveis a qualquer outro tipo de dependência.

“Penso que a nomofobia não existe como doença, é uma invenção que não faz sentido. Uma fobia é algo que desperta medo em alguém e não o medo de ficar sem algo. Portanto, estamos falando de dependência e não de uma fobia.” (psicóloga clínica e psicoterapeuta Lídia Craveiro, site UniversoSmart).

Seja qual for à interpretação dada ao termo nomofobia, a questão é que para esses indivíduos “dependentes” que “sofrem uma forte angústia e medo de ficarem sem seus celulares”, não aceitam que são portadores deste tipo de transtorno. Muitos colocam a culpa no trabalho ou na necessidade de se comunicar com a família ou com amigos, no caso de emergências.

Para ter uma noção dessa questão no Brasil a empresa francesa de pesquisa de Ipsos publicou um estudo sobre o impacto do celular na vida cotidiana e mostrou como esse aparelho mudou a vida dos usuários. A empresa realizou mil entrevistas com pessoas de ambos os sexos, de todas as classes sociais e com mais de 16 anos de idade, em 70 cidades e nove regiões metropolitanas. Os resultados revelaram que 18% dos brasileiros admitiram ter dependência dos seus aparelhos.

“Com essa nova liberdade, novas regras de coexistência tem influenciado e ditado pela comunicação e interação entre os indivíduos. Esta mobilidade leva a sensação de liberdade e a uma percepção de que podemos ter o mundo em nossas mãos. Essa sensação pode gerar um comportamento ambíguo de poder e medo” (pesquisadora Anna Lucia Spear King, site UOL.)


Independentemente das consequências do uso abusivo dos celulares ou da tecnologia, não se pode negar que o homem é um ser de comunicação e que sua sobrevivência depende substancialmente das inter-relações. A partir do momento em que o uso dos celulares começar a interferir no cotidiano das pessoas, causando estress, ansiedade ou angústia, estamos diante de uma situação de uso inadequado da tecnologia e possivelmente de um processo de nomofobia.

domingo, 4 de maio de 2014

MULHERES APAIXONADAS E ILUDIDAS...Será????????

MULHERES APAIXONADAS E ILUDIDAS

                               



Muitas mulheres escolhem se enganar para manter um relacionamento inexistente, para sustentar o vínculo com um homem que não corresponde aos sentimentos dela e, na esperança de futuramente ganhar o coração deste e como troféu receberem o status de namorada/noiva/esposa se sujeitam a serem tratadas como objeto.
                          
  
 Palavras românticas têm sido usadas como moeda por homens que desejam a companhia ocasional de uma mulher sem necessariamente manterem um relacionamento sério com esta. Frases bonitas comovem facilmente fazendo com que mulheres permaneçam em relacionamentos desrespeitosos motivadas por uma porcão destas proferidas automaticamente, sem se quer minimamente condizerem ao contexto a que se inserem. Por mais que as palavras produzam um impacto emocional muito grande, são capazes de serem inverdade. Já os atos não, os atos nunca mentem.
   O comportamento de um homem sempre vai deixar implícito quais são suas verdadeiras intenções com a mulher. Se ele gosta de uma mulher, a ama, pretende ficar com ela, a considera importante, sempre a colocará como prioridade.

                  
Assim como, se não a ama ou não intenciona ficar de verdade com ela, quer só ‘curtir o momento’, a tratará como uma companhia temporária com a qual pode ocupar seu tempo vago ou períodos de carência. Aí, é uma opção desta se submeter ou não a ser o remédio para curar o tédio e a fossa de homem que não está se sentindo feliz, como na música de Peão Carreiro.
   Ainda, há casos em que o homem mostra, verbaliza que não pretende ter um relacionamento sério ‘nesse momento’ ou ‘por esse período que esta passando’, enfim, utiliza um pretexto qualquer para ser, no mínimo, delicado e não magoar a moça, e mesmo assim esta finge que não entendeu ou quer tanto tê-lo que acaba por criar uma realidade fantasiosa em relação ao romance, às vezes chega até a usar de má-fé distorcendo as palavras do moço para alimentar sua esperança.
                      

   Você fingir não enxergar que o homem não te ama, não vai fazê-lo amá-la! Muito ao contrario, apenas será um demonstrativo para ele de que pode fazer o que quiser e ainda assim você continuara disponível. Ou seja, você estará assinando um contrato de que permite ser tratada como objeto. Ninguém respeita quem não se respeita.
   Se um homem não arruma tempo para te ver é porque ele não deseja te ver e aparecer ocasionalmente não é sinal de compromisso. De acordo com as pesquisas da escritora Sherry Argov ‘Muitos homens dizem que estão ocupados demais com o trabalho. O trabalho nunca interfere quando ele realmente quer estar com alguém na vida pessoal. Se um homem quiser mesmo se encontrar com uma mulher, o tempo livre vai aparecer num passe de mágica’, e ‘ A partir das pequenas coisas que o homem faz e das atitudes que toma perto de uma mulher, dá pra ver quais são suas intenções’.
   Identificado que o sujeito com o qual você se envolveu não retribui as suas expectativas cabe a você decidir abandonar agora ou ser abandonada depois. Que ele vai partir assim que encontrar uma mulher por quem se apaixone é óbvio.  Então pra que perder o tempo, saúde, vida em um relacionamento que só fere sua autoestima e você sabe que não tem futuro? Vale a pena usar o tempo que você poderia ocupar para conhecer e conviver com uma pessoa que valoriza quem você é, com alguém que só te usa?

Psicóloga Katree Zuanazzi

domingo, 13 de abril de 2014

Como mulheres sentem orgasmos...

Como mulheres sentem orgasmos

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Uma dúvida que me pegou um dia desses… sobre os orgasmos das mulheres.
Então Freud vem e classifica as mulheres que têm orgasmos clitorianos como aquelas que ainda não largaram a infância e as que tem orgasmos vaginais, como maduras. Aí eu paro e me pergunto: quantas vezes Freud já deu a buceta para vir me falar de orgasmos femininos?
Conversando com minha namorada, ela me disse que só sente orgasmos clitorianos. Pra nós, homens, com o ego do tamanho de um zeppelin, é a deixa para pensar: ’vou cortar meu pinto fora e conseguir uma língua nova’.
Mas eu, no fundo, não acredito muito nessa distinção de orgasmos. E queria perguntar: Você sente orgasmos diferentes quando se masturba estimulando unicamente o clitóris e quando tem penetração? Qual veio primeiro? Qual o melhor?
Beijos!
Saulo.”
 A verdade é que somos todas muito diferentes e cada uma possui preferências distintas. Só a sua mulher poderá dizer como ela sente mais prazer.
              
Muitas mulheres são como eu e a sua namorada e sentem apenas orgasmos clitorianos. Na verdade, em algumas situações muito específicas já gozei sem estimular o clitóris. Lembro de um dia em que, durante o papai-e-mamãe, o rapaz colocou o dedo por trás, bem devagar. Vi estrelas. Uma vez, tive um orgasmo só de esfregar o pênis super lubrificado nos meus mamilos. Acontece, mas no meu caso é extremamente raro.
De fato, diversas mulheres sentem orgasmos vaginais, com penetração, principalmente com a estimulação do ponto G. Dizem que o orgasmo vaginal é mais intenso, causa ondas, tranquiliza. Para mim, é complicado opinar a esse respeito. Ser penetrada potencializa muito o prazer, mas mesmo assim preciso de estimulação frontal para chegar ao orgasmo. Ou seja: é mais gostoso com penetração, mas sem estimular o clitóris dificilmente conseguirei gozar.
As ocasiões em que cheguei ao clímax sem necessidade de bolinar o clitóris são tão raras que é difícil descrever. Como quando tive squirts – foi tão inédito e surpreendente, que nem entendi direito como funcionava. Depois até voltei à casa do rapaz responsável por tal proeza, querendo reproduzir a experiência, para entender melhor. Não deu certo.
Posso certificar que o orgasmo clitoriano é mais fácil de ser alcançado, pois não há muito mistério. E posso afirmar também que os tais orgasmos vaginais existem. E uma das maneiras de obter tal orgasmo é com a estimulação do ponto G, que é possível de atingir com a inserção dos dedos no canal da pussy, fazendo sinal de “vem cá”. Outros estímulos nesse momento – um belo beijo grego, por exemplo – contribuem muito para potencializar o prazer. Mas isso não quer dizer que o clitóris estará fora da jogada. Basta imaginar que o clitóris é um órgão  voltado exclusivamente para o prazer da mulher, muito maior do que um pequeno botãozinho externo. A imagem abaixo é uma ilustração do seu formato interno, quando ereto. Olha que grande!
clitoris-interno

http://www.diariodocentrodomundo.com.br/como-mulheres-sentem-orgasmos/