Exposição de experiências em Psicologia, espaço para discussões, informações para estudantes de psicologia sobre a realidade atual, questões típicas da área, trocas entre profissionais em atuação e acadêmicos.
quarta-feira, 22 de maio de 2013
segunda-feira, 25 de março de 2013
Psicopatologia Fundamental e Formação do Psicólogo
Psicopatologia Fundamental e Formação do Psicólogo
Embora não seja objetivo deste texto participar do debate atual sobre as diretrizes curriculares que norteiam a formação do psicólogo, tomaremos o estudo do conhecimento (logos) da alma (psyché), o da psicologia, como exemplo de um campo onde a Psicopatologia Fundamental teria uma palavra a dizer.
A psicologia, como ciência, foi construída ao longo da história como uma tentativa de compreensão de um fenômeno social novo. O “fenômeno novo” é o sentimento de “eu”, cujas origens no ocidente encontram-se na revolução burguesa, que transformou a organização feudal, e instaurou uma nova forma de organização social. Isso significa que a psicologia surge como resposta a um movimento político historicamente datado, e que, como toda ciência emergente, é tributária da ideologia que permitiu o seu aparecimento. (Ceccarelli, 2002) Essa mesma ideologia apresenta distintas leituras do “fenômeno novo”, do “eu”, leituras essas que sustentam as diferentes epistemologias que definem tanto o normal como o patológico. Todo ensino de psicologia, em suas mais variadas áreas de atuação, apóia-se, ainda que implicitamente, em uma leitura do pathos. Essa, por sua vez, sustenta a epistemologia que define a noção de sujeito a qual, consequentemente, determina a prática e orienta a clínica: psicopatologia clínica, psicopatologia do trabalho, das relações empresariais, do desenvolvimento…
Não obstante, a complexidade intrínseca do psicopatológico indica que o objeto de trabalho da psicologia – as paixões que constituem o sujeito – não é apreensível por um discurso único e muito menos redutível à uma forma discursiva que o unifique. Daí a importância, na perspectiva de Psicopatologia Fundamental, que o estudante de psicologia tenha contato com a multiplicidade das “psicopatologias” – fenomenológica, psicanalítica, existencialista, comportamental, humanista, centrada as e outras tantas – para que ele se dê conta que a psicopatologia que sustenta a prática psicológica constitui um vasto território habitado por diferentes perspectivas epistemológicas com metodologias próprias e irredutíveis. Cada corrente teórica da psicologia propõe, dentro do referencial que lhe é próprio, possíveis apreensões do pathos que traduzem diferentes leituras do fenômeno observado – diferentes leituras do real – gerando diferentes construções da realidade.
A Psicopatologia Fundamental sugere que o estudo da psicopatologia no curso de psicologia deveria abordar os vários discursos sobre o pathos. Uma aula ideal convocaria psicopatólogos de diferentes filiações onde, a partir de um determinado fenômeno psíquico, cada teoria da polis psicopatológica tivesse direito à palavra. Teríamos, neste caso, um exercício legítimo da transdisciplinaridade tal como a entende a Psicopatologia Fundamental: uma confrontação de modelos onde aquilo que pode parecer óbvio para um, seria motivo de perguntas para outro. Além disto, tal confrontação permitiria mostrar que tanto a nossa prática, quando nossa escuta, são determinadas pelo modelo que elegemos.
Um exemplo: tanto autores da Escola Inglesa (Khan, 1979; McDougall, 1972, 1987), quanto da Americana, (Stoller, 1975, 1984; Kernberg, 1975, 1988), relatam casos clínicos de perversão trabalhados em análise com êxito. Para estes autores, a dificuldade com o perverso é suportar sua monotonia discursiva, o que requer do analista uma disposição particular para acompanhar o sujeito na repetição de sua pesquisa sexual infantil e, finalmente, introduzí-lo no mundo subjetivo de forma não ameaçadora. Já para a Escola Francesa de Jacques Lacan (Lacan, 1966, 1986) a perversão, vista como estrutura, resiste à psicanálise e o perverso não é analisável.
Ampliando a questão teríamos outro exemplo ainda mais radical: em agosto de 2004 ocorreu em Belo Horizonte o XIII Fórum Internacional de Psicanálise organizado pelo Círculo Psicanalítico de Minas Gerais. O tema do Fórum foi “As múltiplas faces da perversão”. Inspirado por ele, organizei na PUC-MG um debate sobre a perversão para o qual convidei colegas das diferentes linhas da psicologia. O resultado foi a total falta de consenso entre os debatedores sobre a definição de perversão, sua escuta e condução clínica. Ora, do ponto de vista epistemológico isso em nada nos surpreende pois, como já disse, campos diferentes, cada qual com métodos, procedimentos e objetivos próprios dificilmente se comunicam. Mas para os alunos em formação o resultado foi angustiante. Ponderaram, e com razão, que para o sujeito que procura ajuda, sujeito esse que desconhece as correntes da psicologia, seu “futuro psíquico” estaria diretamente ligado à linha seguida pelo profissional que ele elegeu. Como resolver este impasse?
A pergunta que fica é: existe uma posição, uma leitura do fenômeno, mais verdadeira do que a outra, ou devemos nos perguntar sobre os limites da teoria que norteia nossa escuta? Ou ainda: existe um modelo mais verdadeiro que outro, ou é a nossa transferência que determina nossas escolhas teórico-clínicas? (Ceccarelli, 1999) Questionar a certeza sobre a qual determinada enunciação repousa é o que caracteriza o discurso científico.
Muitas vezes devido aos complexos inconscientes que são despertados em nós pela fala daquele que está em nossa frente, apressamo-nos a buscar respostas que confortem nossas angústias. Para evitar isso, devemos estar atentos às formas discursivas que apresentam respostas para tudo e, ao mesmo tempo, não suportam críticas: quando os conceitos teóricos transformam-se em dogmas, o discurso transforma-se em religião, e seus pressupostos em leis. (Religião do latim “re-ligare” religar com Deus, ou com aquele que ditou, ou escreveu, a teoria.) Temos, neste caso, o dogmatismo onde qualquer atividade crítica é severamente punida. Não podemos nos esquecer que a dimensão imaginária da transferência pode transformar uma teoria em Verdade incontestável.
É neste sentido – cabe repetir – que as diversas leituras do fenômeno psíquico devem ser reconhecidas como possíveis. Sem este reconhecimento, nossa prática corre o risco de transformar-se em uma prática perversa no sentido empregado por Freud nos 3 Ensaios: uma fixação de uma pulsão sexual em uma única forma de satisfação.
http://ceccarelli.psc.br/pt/?page_id=179
domingo, 24 de março de 2013
Filmes...Sob olhar psicológico....
A tentação
Fanatismo religioso, relações afetivas, familiares e sociais, traição, reabilitação em drogadicção.
SINOPSE
Gavin Nichols (Charlie Hunnam) é um jovem que está na beira de um edifício, ameaçando pular. O detetive Hollis Lucetti (Terrence Howard) é enviado para impedi-lo e, ao conversar com ele, descobre que Gavin está sendo forçado a pular antes do meio dia. A conversa faz com que Gavin e Hollis exponham seus pontos de vista religiosos, em um verdadeiro embate sobre questões filosóficas.
TRAILER
O OLHAR DA PSICOLOGIA
Além de entretenimento, os diálogos trabalham questões religiosas e filosóficas. Fé pessoal e o fanatismo religioso são trabalhados na trama, sem que o filme se torne pesado. As discussões filosóficas e teológicas estão presentes no filme. As relações afetivas, reabilitação e traição tem espaço no desenvolvimento do enredo.
O encontro entre o detetive e o suicida promove a retrospectiva da vida de ambos. O diálogo é permeado por cenas do passado que aos poucos vão dando sentido a situação do momento. O detetive é acionado para ajudar ao suicida, tentando evitar que o pior aconteça. No entanto, o Lucetti não está em seus melhores dias, pois acabara de descobrir que é estéril. De quem seriam os dois filhos que criou como seus?
O suicida não parece desejar mesmo morrer. Logo, compreendemos que ele está sendo obrigado, para salvar a vida de seu amor. Somos aos poucos apresentados a trama desse amor, dessa amante. Ela é casada com um fanático religioso, que além de ter convicções rígidas e ser incapaz de aceitar diferenças, cobra diariamente lealdade às suas convicções religiosas e pessoais. A convivência do casal com Gavin e seu colega de apartamento desperta a pior face do marido: o fanatismo e o preconceito .De fato, não é possível perceber a razão de tanta tolerância por parte da esposa, que é jovem e se submete a situações constrangedoras. Aos poucos, vamos percebendo que existe uma dívida de gratidão em relação a esse marido. De fato, a esposa mantém o casamento por considerar que ele um dia a salvou.
Marcadores: Alcoolismo, Dependência Química, Drogas, fanatismo religioso, Relações afetivas, Relações sociais
Garota interrompida
Drogas - Borderline - sexualidade – adultos
Conta a história de uma garota que tem problemas de comportamento e uso de drogas, que foi internada, pela família, em um hospital psiquiátrico. O filme mostra as relações estabelecidas entre os pacientes e dos pacientes para com a instituição, e as mudanças que ocorrem com esta personagem. Além dessa personagem aparecem outras com histórias diferentes e que nos fazem pensar nas relações humanas.
Visão da psiquiatria: Em DUBUGRAS, Maria Thereza Bonilha; MARI, Jair de Jesus; SANTOS, José Francisco Fernandes Quirino dos. A imagem do psiquiatra em filmes ganhadores do Prêmio da Academia entre 1991 e 2001. Rev. psiquiatr. Rio Gd. Sul, Porto Alegre, v. 29, n. 1, Apr. 2007 . Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-81082007000100018&lng=en&nrm=iso>. access on 28 July 2010. doi: 10.1590/S0101-81082007000100018.)
SINOPSE
Em 1967, após uma sessão com um psicanalista que nunca havia visto antes, Susanna Kaysen (Winona Ryder) foi diagnosticada como vítima de “Ordem Incerta de Personalidade” – uma aflição com sintomas tão ambíguos que qualquer garota adolescente pode ser enquadrada. Enviada para um hospital psiquiátrico, onde viveu nos 2 anos seguintes, ela conhece um novo mundo, de jovens garotas sedutoras e transtornadas. Entre elas está Lisa (Angelina Jolie), uma charmosa sociopata que organiza uma fuga com Susanna, Daisy e Polly, com o intuito de retomarem suas vidas.
Trailer
28 DIAS
ASSUNTO
Alcoolismo, Dependência Química, drogas, reabilitação
O filme retrata a rotina do alcoólatra, incluindo a negação do próprio estado, aceitação de sua reabilitação e as dificuldades inerentes. Durante sua internação, Gween contata outras histórias e aprendendo mais sobre o mundo e se redescobre como ser. Bela, bem-sucedida profissionalmente, superanimada, mas alcoólatra. Esse é o perfil de Gwen Cummings, uma competente jornalista de Nova Iorque. Uma vez na clínica, passa a obedecer regulamentos rígidos e estranhos rituais, como cantar e entoar palavras de ordem de mãos dadas com outros pacientes e, falar de seus sentimentos. Gwen vai perdendo paulatinamente seu ceticismo e inicia a longa luta para reassumir o controle de sua vida e recuperar sua saúde. Ao mesmo tempo que descobre que talvez seja possível manter um equilíbrio interior e exterior. Indicado para aqueles que conhecem o problema de perto, seja na família, consigo ou com um amigo. vale a pena conferir!
O filme retrata a rotina do alcoólatra, incluindo a negação do próprio estado, aceitação de sua reabilitação e as dificuldades inerentes. Durante sua internação, Gween contata outras histórias e aprendendo mais sobre o mundo e se redescobre como ser. Bela, bem-sucedida profissionalmente, superanimada, mas alcoólatra. Esse é o perfil de Gwen Cummings, uma competente jornalista de Nova Iorque. Uma vez na clínica, passa a obedecer regulamentos rígidos e estranhos rituais, como cantar e entoar palavras de ordem de mãos dadas com outros pacientes e, falar de seus sentimentos. Gwen vai perdendo paulatinamente seu ceticismo e inicia a longa luta para reassumir o controle de sua vida e recuperar sua saúde. Ao mesmo tempo que descobre que talvez seja possível manter um equilíbrio interior e exterior. Indicado para aqueles que conhecem o problema de perto, seja na família, consigo ou com um amigo. vale a pena conferir!
SINOPSE
Gwen Cummings (Sandra Bullock) uma escritora que leva sua vida de forma selvagem. Saltando de festa em festa, as coisas começam a mudar quando ela, bêbada, rouba a limusine no meio do casamento de sua irmã e bate com o carro numa casa. Encaminhada para um período de 28 dias numa clínica de reabilitação para dependentes, Gwen tem que aprender a vida num lugar onde as regras são rígidas e têm que ser cumpridas.
Marcadores: Alcoolismo, Dependência Química, Drogas, Psicoterapia, Reabilitação
BIRD...
Dependência química, transtornos alimentares, relações familiares, sociais e afetivas.
ASSUNTO
Dependência química, transtornos alimentares, relações familiares, sociais e afetivas.
SINOPSE
Cinebiografia do famoso saxofonista Charles "Bird" Parker, um dos mais famosos musico da historia do jazz. Sua arte e sua vida deixou um profundo legado. O talentoso diretor/ator Clint é um aficionado de jazz de longa data, e com esse filme que fornece um retrato emocionante do jazz visionário de Charlie "Bird" Parker. Eastwood, também pinta um retrato vívido do mundo do jazz em toda sua complexidade. Forest Whitaker, como Parker, fornece uma interpretação apaixonante que ajuda a fornecer uma compreensão do gênio do homem, e das tragédias de suas crises ou do uso de drogas. Clint não faz nenhum julgamento moral em relação ao músico. Ele homenageia a sua arte e respeita o homem. Magnífica trilha sonora (ganhadora do Oscar), com os solos dos discos originais de Parker, um gênio incansável que viveu intensos 35 anos (1920 a 1955). Filme sobre um músico fantástico, tremendamente talentoso.
O OLHAR DA PSICOLOGIA
Viciado em drogas desde muito jovem, Charlie teve ao longo da sua carreira muitos altos e baixos. Charlie aprendeu a tocar ouvindo uma vitrola velha, por isso o som que produzia era único e transbordava seu amor pela música. Apesar do sucesso, o músico tinha sérios problemas com abuso de substâncias e transtornos alimentares, o que prejudica sua vida. Graças ao apoio da sua dedicada mulher Chan, que tudo fez para evitar o seu internamento numa instituição mental, Charlie continuou a tocar o seu novo estilo de música, levando a uma autêntica revolução no jazz. A trama nos brinda com sua trilha sonora invejável, principalmente para os amantes do jazz, mas também explora os transtornos psicológicos do artista.
Postado por Patricia Simone Santos
Filme...Meu nome é KHAN
Autismo, “Síndrome de Asperger”, Luto, preconceito étnico diferença, violência, amor, perdas, superação, potencialidades.
ASSUNTO
Autismo, “Síndrome de Asperger”, Luto, preconceito étnico diferença, violência, amor, perdas, superação, potencialidades.
Madrugada, carnaval, ligo a TV e encontro o filme no telecine. “Asperger” me chama a atenção na sinopse, mas a intenção era apenas que me ajudasse a dormir e depois poderia procurar o filme para assistir com calma. Eu já estava com muito sono, no entanto fui despertada pela trama que me envolvia mais e mais, a cada momento. Acabei por ver o filme completo, às vezes chorando, às vezes rindo, mas completamente encantada. Ultimamente tenho me deparado com filmes indianos imperdíveis, este é um deles, recomendo! Trata-se de uma trama muito bem costurada que aborda assuntos diversos. A história de uma pessoa diagnosticada com Síndrome de Asperger, e sua forma de funcionar no mundo diante das mais diferentes dificuldades que encontra em seu caminho. Khan é também mulçumano e está incluído no grupo das pessoas boas, pois como dizia sua mãe “só há uma única diferença entre os seres humanos, as pessoas boas e as más”. Apesar dos obstáculos impostos por seu funcionamento, o amor de sua mãe o permitiu desenvolver suas potencialidades, tornando-o um adulto inteligente e habilidoso. Ao trabalhar com a
Venda de produtos para salão de beleza, Khan conhece Mandira, uma cabelereira por quem se apaixona. Logo que compreende o que sente, embora tenha dificuldade tanto de expressar sentimentos como de fazer contato, ele se emprenha em convencê-la a se casar com ele. Mandira têm um filho que aos poucos vai se tornando também filho dele, que acaba por registrá-lo como tal. A família se muda para Los Angeles, onde a esposa começa o próprio negócio, um salão de beleza, onde o casal segue trabalhando, construindo a família tão desejada por ambos. Até aqui, somos convidados a compartilhar momentos de alegria com essa doce e pura criatura e sua determinação e pureza de lidar com o mundo. A trama muda de tom e nos proporciona momentos de tristeza e perplexidade diante de todos os acontecimentos a partir de 11 de setembro. Agora a discussão é sobre o outro lado da moeda. Estamos falando de todos os mulçumanos que foram discriminados a partir de então. Aliás, somos provocados a refletir sobre qualquer tipo de discriminação e o quanto as pessoas são impedidas de viver sua identidade com liberdade. Amor, ódio, vida, morte, luto, violência, solidariedade, perdas, determinação, todas essas possibilidades humanas de ser são apresentadas no romance que nos convida a olhar o mundo pelas lentes de nosso “diferente” personagem. Aquele que tem todos os aspectos para discriminação, nos mostra a simplicidade dos valores básicos da existência, afinal o que realmente importante na vida? Preparem os lenços, as emoções serão muitas, mas todas elas valerão muito a pena!
Logo no começo do filme já vemos que a história está sendo narrada por Risvan Khan (Shahrukh Khan), que está, em verdade, escrevendo tudo isso para Mandira (Kajol). É assim que ficamos sabendo que quando pequeno ele não era compreendido nem por seus amigos e nem por sua mãe. Ele visivelmente tinha algum problema, embora fosse ultra inteligente. Não se dando bem na escola, sua mãe acaba contratando um professor particular pra Risvan, potencializando sua inteligência. Assim, lá em São Francisco, a esposa de Zakir, psicóloga, descobre que Risvan é portador da Síndrome de Asperger, uma espécie de autismo “leve”. Pra ajudar o irmão, então, Zakir propõe a Risvan ajudá-lo na venda dos cosméticos da empresa em que trabalha, indo de porta em porta nos salões de beleza em são Francisco. Leia mais clicando aqui.
Resenha completa aqui.
Um filme interessante para se analisar os estereótipos e o preconceito étnico. (...) EUA, casa-se com uma hindu e após o ataque às torres gêmeas – 11 de setembro de 2001 – a sua vida muda completamente. A xenofobia contra muçulmanos acaba tornando a dinâmica social e psicológica da família de Khan insuportável. A jornada de Khan que é apresentada no filme trata-se de sua tentativa de provar que não é um terrorista. LEIA MAIS...
Apesar da dificuldade de encontrar críticas sobre o filme, alguns comentários de sites me chamaram muito a atenção, compartilho com vocês os principais, os outros poderão ser lidos no link abaixo destes.
Leonilda Boen disse:
Um homem que vê pessoas e não ideais, religiões, cor ou raça. Me impressionou a cena que ele paga 520 dólares para um jantar com o presidente e ajudar a África. A mulher lhe pergunta se ele é cristão ele diz que é muçulmano ela lhe devolve o dinheiro e diz que ali é só para cristão. Ele responde: " Fique com o dinheiro querida e dê para ajudar os africanos não cristãos".Visão única de um homem que questiona uma humanidade perdida em meio ao ódio, intolerância e violência , um amor e perdão genuínos.
Marcia Girola disse:
"Existe apenas dois tipos de pessoas no mundo, as boas que fazem o bem e as más que fazem mal. Esta é a única diferença." Um filme, uma obra ou uma lição de vida? Lindo, triste, emocionante, cômico ou dramático? Depende dos olhos e da experiência de cada telespectador. Enquanto a maioria vai se encantar com o amor, a questão da humanidade, o preconceito racial e religioso e se questionar sobre sua própria identidade, tirando ou vivenciando com o véu que esconde ou representa sua face, alguns poucos irão notar que um sujeito Asperger é capaz de memorizar os melhores ensinamentos e transpô-los na mais significativa e marcante aprendizagem sobre utra forma de se encantar com o mundo. E assim, criar uma nova esperança de que as pessoas podem mudar. Um Asperger pode não saber expressar seus sentimentos, pode ter manias que as pessoas ao redor podem achar estranhas ou simples loucuras, mas sua forma literal de 'entender' o sistema social pode nos fazer rever nossos pré-conceitos sobre tudo que nos cerca e tornar as vivências subjetivas a principal marca da existência humana. Pois, chorando ou não, as ações valem muito mais do que a tão famosa frase "eu amo você". lINK PARA OUTROS COMENTÁRIOS
SINOPSE
O filme “My Name is Khan” conta a história de Rizvan Khan, um indiano portador da síndrome de Asperger's, um tipo de autismo. Depois que se muda para os Estados Unidos, Khan se apaixona por Mandira, uma cabeleireira separada que vive com o filho Sameer (Sam). Khan é maometano e Mandira, hindu, mas suas diferenças religiosas não impedem que se casem. Os problemas começam com o 11 de Setembro, quando passam a ser atacados por sua origem étnica e devido a generalizações preconceituosas. Depois de sofrer bullying por parte de colegas, Sam é morto em uma briga, e Mandira, revoltada, culpa o marido, e lhe diz que ele só poderia voltar depois que dissesse ao presidente da república que ele não é um terrorista, e que o filho dela também não era. Rizvan interpreta isso literalmente, e empreende uma peregrinação para ter sua esposa de volta.
TRAILER
sexta-feira, 22 de março de 2013
Diferença entre Psicologia e Psicanálise
Diferença entre Psicologia e Psicanálise
Psicologia e psicanálise não são a mesma coisa. Há uma distinção essencial entre elas que afunda raízes em suas origens, e cuja diferença leva a distintas perspectivas e métodos de pesquisa, portanto diferentes diagnóstics e diferentes resultados.
O discurso sobre a alma (em grego antigo psyche-logos do qual a palavra psicologia vem) é uma investigacão que nasceu nos tempos da Grécia antiga, entre outras relacionadas ao universo, à vida e à política. O primeiro psicólogo foi Aristóteles (384 BC - 322 AC) um dos fundadores do pensamento ocidental e nosso grande classificador. Em sua vida de pesquisas, Aristóteles categorizou o inteiro mundo conhecido na época, incluindo moral e comportamento humano.
A psicologia adentrou a idade moderna pelo trabalho de Wilhelm Wundt. Em 1879, ele fundou, em Leipzig, o primeiro laboratório dedicado exclusivamente à pesquisa psicológica. Muitos outros estudiosos seguiram e diferentes ramos da psicologia nasceram: Comportamentismo, Existentialismo, Cognitivismo entre outros são todos campos da psicologia.
Desenvolvendo-se como um dos campos dos estudos experimentais, a psicologia era uma ciência entre outras. Sua filosofia de base fundamenda-se no Positivismo, de modo que o ser humano é abordado usando a mesma metodologia utilizada para estudar uma molécula, uma planta ou um peixe. A ciência tradicional estuda a natureza (e os humanos são parte dela) tentanto identificar suas leis, que uma vez descobridas ajudam a prever e entender como o todo funciona e portanto quais são suas anormalidades.
Freud (1856-1939), o fundador da psicanálise, não era um psicólogo. Era um neurologista e o novo campo do conhecimento que ele descobriu supunha um elemento desconhecido à psicologia e a todas as outras ciências convencionais: o inconsciente. Ele chamou esse conhecimento de psicanálise porque está baseado na análise da psique. Esta abordagem mantém a tradicional distância entre o observador (o analista) e o objeto de seus estudos (o paciente), portanto o analista fala pouco, escreve muito, e analiza o paciente, como fossem os dois de espécie diferentes. Por outro lado, este método na verdade sacode as fundações do método científico convencional.
A referência principal da psicanálise é o inconsciente, o qual, por definição, está presente em toda pessoa, analista e paciente incluso, e influencia as atividades concientes e as percepções da realidade, distorcendo a visão e manipulando a compreensão racional. Freud de fato estava caminhando sobre um terreno instável que iria necessariamente levar a uma mudança na epistemologia psicanalítica. Epistemologia é o ramo da filosofia preocupada com a natureza do conhecimento, cujas perguntas são: o que podemos conhecer? Quais são os limites do conhecimento humano? Assim, se a psicanálise supõe o inconsciente como seu objeto principal de estudos e o inconsciente é o desconhecido (tudo o que não é consciente) que interfere com a forma como conhecemos o mundo, chegamos num aparente círculo vicioso. Como, então, podemos afirmar qualquer coisa com objetividade?
Freud contava com sua auto-análise para ajudá-lo a compreender seus pacientes. Isto o coloca numa posicão completamente diferente daquela de um psicólogo que vê a si mesmo como um pesquisador externo, para o qual o estudo de uma medusa ou de uma pessoa está idealmente baseado nas mesmas premissas. Ao invés disso, Freud seguiu por outro caminho: através de sua experiência interior e do conhecimento assim obtido desenvolveu os instrumentos para melhor ajudar seus pacientes. Apesar de Freud oficialmente permanencer nos limites da epistemologia positivista, sua prática trai o fato que ele está na verdade quebrando este paradigma, modificando o método científico.
Quem se tornou consciente dessa revolução e de suas consequências foi Jung (1875-1961), o qual alcançou horizontes que Freud não poderia jamais imaginar. O histórico de Jung due-lhe a liberdade para investigar o campo desconhecido que a psicanálise freudiana havia aberto. O método científico positivista (oriundo das ciências biológicas) foi substituído por aquele dialético (oriundo da filosofia) que melhor combina com a psique. A metodologia de Jung aprofunda o dialogo que já Freud utilizava, usando-o mais intendamente, e investe na auto-consciência do analista e na relação mais do que na “analise” de for a para dentro do paciente.
Para Jung, não somente os sonhos são, como disse Freud, o caminho principal para chegar ao misterioso elemento em nós, o inconsciente, como a inteira vida psíquica, uma vez que se tenha olhos para realmente enxergar, revela elementos e orientações, e o inconsciente é mais do que um perturbador das atividades conscientes. Analista e paciente estão ambos engajados numa jornada de descoberta e de crescimento. Durante os muitos anos de experimentação e aprendizado a partir de sua vida interior Jung foi desenvolvendo sua psicologia analítica, que apesar de representar um passo a frente em relação à psicanálise freudiana, pertence ao mesmo campo que Freud primeiro traçou. Ambos não devem nada à corrente contemporânea de “psicologia científica”.
Se a psicologia estuda um ser humano como poderia estar estudando qualquer outro mamífero e a psicanálise está baseada no dialogo entre duas pessoas, então o primeiro psicanalista na história ocidental foi Sócrates (469 BC-399 BC), pois seu método preanunciava a semente da qual a psicanálise iria nascer: o dialogo. Sócrates acreditava que todos possuiam mais conhecimento do que podiam imaginar. Através do dialogo, ele era capaz de fazer uma pessoa pensar e chegar à suas próprias conclusões, desenvolvemento uma surpreendente compreensão da vida e de si mesma.
Resumindo, a psicanálise é precisamente o dialogo com o inconsciente. O psicanalista interage com seu inconsciente e o do paciente, ajudando este último a fazer o mesmo. Este é o objetivo da análise, enquanto a “terapia” tem o objetivo de “curar” como a palavra diz. Em Jung esta idéia é levada adiante e está visível na setting analítico que inclui graficamente duas cadeiras de frente uma para a outra. O divã freudiano implica que o analise investiga o inconsciente do paciente deixando o próprio de lado. No setting junguiano o dialogo acontece em, pelo menos, quatro níveis: duas pessoas conversam, dois inconscientes interagem (através de sentimentos, sonhos e linguagem não verbal), duas pessoas se tornam concientes da interação inconsciente e de seus significados; uma pessoa ajuda a outra a se familiarizar com isso e começar sua jornada desdobrando sua própria unicidade.
É por isso que, em psicanálise normalidade é um conceito questionável, pois ele se refere ao mediano, à média estatística que ninguém gosta de ser. A normalidade que se busca em psicanálise é a incomparável singularidade da individualidade humana. Não só, a psicanálise, em sua versão junguiana e pós-junguiana, se parece com a Física Quântica e sua revolucionária abordagem à matéria. O observador e o observado interferem um com o outro sendo a objetividade no sentido tradicional impossível. Não é por acaso que a psicanálise nasceu na virada do século vinte junto à física moderna. Ambas pertencem ao novo paradigma epistemológico acerca da compreensão da vida e de seu significado.
Transferência e Contratransferência
Transferência e Contratransferência
A transferência e a contratransferência são uma forma de projeção típica da relação terapêutica entre paciente e terapeuta e pode-se caracterizar de forma positiva, com sentimentos de afeto e admiração, ou negativa, com sentimentos de agressividade e resistência, dependendo dos laços inconscientes e emocionais que emergem nesta relação.
Denominamos “Transferência“, as projeções relacionadas a reações emocionais do paciente, dirigidas ao analista. A “contratransferência” envolve sensações, sentimentos e percepções que brotam no terapeuta, emergentes do relacionamento terapêutico com o paciente: como respostas às manifestações do paciente e o efeito que tem sobre o analista. É um sinal de grande significação e valor para orientar o terapeuta no trabalho analítico.
Cenário que exemplifica a “relação transferêncial”:
Neste cenário vemos o Obstetra com aparturiente e a sua volta acontece um amplo e abrangente ritual de cura: os instintos simbolizados pelo veterinário, as emoções simbolizadas no Cardiologista, a alma humana cuidada pelo Psicólogo, o corpo físico peloClínico Geral e o Oftalmologista que nos ajuda a “enxergar melhor”. Esses profissionais são observados pelo casal de macacos abraçados.
Este cenário reflete a busca do paciente por uma integração saudável e plena, revelando saúde de espírito e mente bem estruturada. O casal de macacos amorosamente abraçados simboliza a relação transferêncial positiva e o vínculo sólido. O obstetra personifica o terapeuta que por meio da continência segura e protegida, assiste o renascimento de seu paciente para uma nova fase de vida.
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